Rússia acusada de executar prisioneiros de guerra ucranianos em Avdiivka

Depois de, na semana passada, as forças ucranianas terem rendido a cidade oriental de Avdiivka, Kiev acusou as tropas russas de terem executado seis soldados feridos que ainda não tinham conseguido sair da cidade conquistada por Moscovo. A Ucrânia acusa, por isso, a Rússia de violar o acordo alcançado sobre a retirada de militares.

Inês Moreira Santos - RTP /
Reuters

A conquista de Avdiivka pelas forças russas representa uma vitória estratégica e simbólica para Moscovo, fortalecendo a defesa da capital regional Donetsk e possibilitando novas ofensivas contra o território controlado pela Ucrânia. Na semana passada, após a perda da região para o exército russo, o comandante-chefe ucraniano, Oleksandr Syrskyi, ordenou a retirada dos soldados da cidade.

Esta terça-feira, contudo, as autoridades ucranianas revelaram ter provas de possíveis crimes de guerra, acusando as forças russas de terem executado militares em Avdiivka após se terem rendido. Um vídeo publicado por militares russos depois de conquistarem a posição fortificada "Zenith", no sudeste da cidade do leste da Ucrânia, parece mostrar corpos de soldados ucranianos deitados no chão, manchados de sangue e com as mãos atadas.

De acordo com os meios de comunicação ucranianos, amigos e familiares dos militares alegadamente assassinados identificaram-nos com a ajuda de tatuagens, roupas e objetos pessoais.

Os familiares identificaram três soldados ucranianos, Georgiy P., Andriy D. e Ivan Z., no vídeo. Posteriormente as famílias destes informaram a 110.ª Brigada do Exército ucraniano através das redes sociais, que identificou mais dois soldados como Oleksandr Z. e Mykola S., enquanto a identidade do sexto militar permanece desconhecida, de acordo com um comunicado emitido na segunda-feira.

A irmã de um deles, Ivan Z., disse que estava a falar com o militar por videoconferência quando os soldados russos entraram no hospital improvisado na posição capturada. As informações ainda não foram, contudo, verificadas de forma independente.

Os soldados gravemente feridos e desarmados não puderam ser retirados devido a "bombardeamentos incessantes da aviação inimiga e ataques de artilharia, bem como ataques constantes de ‘drones’ a veículos e bombardeamentos contra as rotas de retirada", referiu a brigada ucraniana."O inimigo [soldados russos] informou os coordenadores deste processo que concordou em retirar os nossos feridos e prestar-lhes assistência e, no futuro, trocá-los [de regresso à Ucrânia]", disse a brigada das forças de Kiev.

Avdiivka era uma das cidades na linha de frente da guerra entre Kiev e Moscovo nos últimos meses, após a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, há quase dois anos. As forças ucranianas decidiram, no fim de semana, abandonar a cidade, dando à Rússia a vitória mais significativa desde que capturou a cidade de Bakhmut, no ano passado.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, explicou entretanto que a decisão de recuar foi tomada para “salvar a vida dos soldados”.

Já o presidente russo, Vladimir Putin, saudou a tomada de Avdiivka como uma "importante vitória" das tropas, a poucos dias do segundo aniversário do início da invasão russa, a 24 de fevereiro.
PUB