Rússia admite negociadores europeus "se a razão prevalecer na Europa"

Rússia admite negociadores europeus "se a razão prevalecer na Europa"

A Rússia admitiu hoje uma participação da Europa no processo de negociações com a Ucrânia, mas ressalvou que, de momento, qualquer aproximação passa apenas pela mediação dos Estados Unidos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Igor Ivanko - Reuters

"Em determinado momento, sim, será necessária a participação dos europeus, mas ainda não se falou disso em pormenor", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a uma rádio russa, segundo a agência espanhola Europa Press (EP).

A agência russa TASS enquadrou as declarações de Peskov num comentário a uma notícia do jornal britânico Financial Times, que alegava que os Estados Unidos considerariam o Reino Unido, a Alemanha e a França como negociadores da Europa.

"Se a razão prevalecer na Europa, o número de pessoas a entrar em contacto aumentará. Se não, não aumentará", afirmou Peskov, citado pela agência de notícias oficial russa.

Os governos europeus defendem que as conversações têm implicações diretas na segurança do continente, pelo que devem ter assento à mesa, enquanto Kiev reclama a sua presença para evitar uma posição de vulnerabilidade decorrente do formato atual.

Contudo, o porta-voz do Presidente Vladimir Putin reafirmou que as conversações previstas para os próximos dias em Abu Dhabi serão em formato trilateral, juntando Rússia, Ucrânia e Estados Unidos.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, manifestou na quinta-feira o desejo de que os Estados Unidos anunciem a data da próxima reunião após as eleições intercalares norte-americanas, marcadas para terça-feira, 03 de novembro.

A Ucrânia, cujo processo de adesão à União Europeia (UE) também depende de um acordo de paz, considera que a segurança europeia não pode ser dissociada da ucraniana.

Kiev argumenta que a exclusão da UE e do Reino Unido da mesa de negociações retira legitimidade às garantias de segurança que venham a ser alcançadas para evitar uma futura agressão russa.

A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 para "desmilitarizar e desnazificar" o país vizinho, como anunciou então Vladimir Putin, e reclama a anexação de parte do território ucraniano.

Outra das exigências russas é a retirada das forças da NATO dos países vizinhos, por considerar as tropas dos aliados como uma ameaça para a Rússia.

A invasão da Ucrânia desencadeou um conflito que tem sido considerado como o mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), embora se desconheça o número exato de vítimas, tanto militares como civis.

A Rússia já tinha invadido a Ucrânia em 2014, quando anexou a península da Crimeia.

A Ucrânia foi uma república da União Soviética desde a fundação do bloco comunista controlado por Moscovo, em 1922, até à sua dissolução em 1991.

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