Rússia adverte países da Ásia Central que adiram a sanções ocidentais
A diplomacia russa admitiu hoje que países da Ásia Central poderão aderir às medidas ocidentais contra a invasão da Ucrânia, mas avisou que a destruição de laços com Moscovo poderá causar-lhes mais danos do que as sanções.
"A destruição artificial dos laços com a Rússia pode resultar em danos mais graves do que os custos das famosas sanções secundárias", advertiu o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo Mikhail Galuzin, citado pela agência oficial TASS.
"Estamos certos de que as capitais da Ásia Central veem e compreendem isto muito bem", disse Galuzin na abertura III Conferência da Ásia Central do Clube Valdai, que decorre hoje e quarta-feira, em Tomsk, na Sibéria.
Os aliados ocidentais da Ucrânia têm decretado pacotes sucessivos de sanções económicas contra a Rússia desde que invadiu o país vizinho, em 24 de fevereiro de 2022.
Um dos objetivos é diminuir a capacidade russa de financiar o esforço de guerra, mas Moscovo tem contado com o apoio de alguns países para contornar o efeito das medidas, incluindo algumas das antigas repúblicas soviéticas.
A União Europeia (UE) está a discutir um novo pacote de sanções que poderá visar países como o Uzbequistão e o Cazaquistão, segundo noticiou recentemente o jornal Politico.
A Rússia é parceira de vários países da Ásia Central na Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO, na sigla em inglês), na União Económica Eurasiática (UEE) e na Comunidade dos Estados Independentes (CEI).
Galuzin disse em Tomsk que há coincidência de posições entre a Rússia e os países da Ásia Central sobre a "inaceitabilidade e ilegitimidade das restrições económicas unilaterais".
"Vários países da Ásia Central não querem, no entanto, assumir os riscos correspondentes, deixando claro que estão prontos a seguir as medidas restritivas ocidentais", afirmou.
O vice-ministro russo disse que Moscovo não dita aos parceiros o rumo político externo e interno, desde que não contrariem "as obrigações mútuas, incluindo as da CSTO, da UEE e da CEI".
Galuzin disse ainda, segundo a TASS, que a Rússia está determinada a reforçar de forma consistente as relações de parceria estratégica com os países da Ásia Central.
A conferência Valdai, que decorre até quarta-feira, na Universidade Estatal de Tomsk, é dedicada ao tema "Rússia e Ásia Central: Interagindo com um mundo em mudança".
Segundo informação do Clube Valdai, participam na conferência cerca de 60 peritos da Rússia, Bielorrússia, China, Índia, Irão, Cazaquistão, Quirguizistão, Mongólia, Tajiquistão e Uzbequistão.
Está prevista uma intervenção do vice-ministro da Energia russo, Pavel Sorokin.
O programa inclui debates sobre temas como "diálogo político e cooperação", o "papel da Rússia e da Ásia Central na nova economia mundial" ou os "desafios comuns à segurança da Rússia e da Ásia Central".
"A Rússia e a Ásia Central representam um espaço político, económico e de defesa comum", disse o Clube Valdai na apresentação da conferência.
"A crise ucraniana e o fim abrupto da cooperação ocidental com a Rússia tornaram-se apenas um dos muitos fatores que levaram a Rússia a aprofundar os laços com a Ásia Central", afirmou o centro de reflexão com sede em Moscovo.
De acordo com os peritos do Clube Valdai, "a Rússia está a passar por um processo de reformatação dos seus laços geoeconómicos".
"Os Estados da Ásia Central já demonstraram a disponibilidade para servirem de parceiros fiáveis para a Rússia, uma vez que esta enfrenta um agravamento acentuado das relações com o Ocidente e uma reestruturação geral da ordem internacional", acrescentaram.