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Rússia alvo do maior ataque aéreo de Kiev horas antes das negociações com os EUA

Rússia alvo do maior ataque aéreo de Kiev horas antes das negociações com os EUA

Na antecâmara das negociações entre os Estados Unidos e a Ucrânia para um cessar-fogo, a Rússia anunciou ter sido atingida por um "ataque em massa" com 337 drones ucranianos. O bombardeamento da madrugada desta terça-feira, no qual morreu uma pessoa, é já considerado o maior das forças de Kiev à região de Moscovo desde o início da invasão russa, tendo provocado incêndios e levado à suspensão de voos e da circulação de comboios.

Inês Moreira Santos - RTP /
Alina Smutko - Reuters

Segundo o Ministério russo da Defesa, as forças ucranianas lançaram 337 drones contra a Rússia, incluindo 91 dispositivos que tinham como alvo a capital russa. As autoridades locais referiram ter sido o maior ataque de drones na região.

"Os sistemas de defesa aérea intercetaram e destruíram 337 drones aéreos ucranianos, incluindo 91 sobre a região de Moscovo e 126 sobre a região de Kursk, que faz fronteira com a Ucrânia", disse o Ministério em comunicado, acrescentando que o ataque também visava as regiões de Bryansk e Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, bem como Ryazan, Kaluga, Voronezh e Nizhny Novgorod.

“Até ao momento, sabe-se que uma pessoa morreu e três ficaram feridas”,
afirmou o governador Andrei Vorobyov, citado pelas agências de notícias.Este ataque aconteceu poucas horas antes das conversações na Arábia Saudita entre representantes ucranianos e norte-americanos, que procuram uma solução para o conflito na Ucrânia.

"O maior ataque de drones inimigos contra Moscovo foi repelido", declarou o presidente da Câmara da capital russa, Sergei Sobyanin, na plataforma de mensagens Telegram, acrescentando que os drones atingiram a aldeia de Sapronovo e a cidade de Ramenskoye, nos arredores de Moscovo.

"Os especialistas dos serviços de socorro estão a trabalhar nos locais onde caíram os destroços", referiu ainda.

Há relatos de que num dos blocos de apartamentos atingidos na região de Moscovo, as janelas foram partidas e uma varanda parcialmente destruída. As autoridades da aviação russas informaram que os voos foram suspensos em todos os quatro aeroportos da capital e dois outros aeroportos, nas regiões de Yaroslavl e Nizhny Novgorod, a leste de Moscovo, também foram fechados.

Esta investida ucraniana ocorre também poucas horas antes da visita a Moscovo do secretário-geral da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), Feridun Hadi Sinirlioglu, que deverá manter conversações com o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov.

"Esta não é a primeira visita a Moscovo de uma delegação internacional de alto nível que é acompanhada por um ataque de drones das forças ucranianas", escreveu a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, no Telegram, afirmando que os atos privam a OSCE do "seu significado original", que é "garantir a segurança e a cooperação na Europa".
Ataque devia "incentivar Putin a aceitar trégua aérea"

A Ucrânia considerou, entretanto, que o ataque em massa que lançou a noite passada contra Moscovo deveria encorajar o presidente russo a aceitar uma trégua aérea, proposta por Kiev como condição prévia para possíveis conversações para pôr fim à guerra.

"Este é mais um sinal para incentivar Vladimir Putin a interessar-se por uma trégua aérea", disse o porta-voz do Centro Governamental Ucraniano contra a Desinformação, Andriï Kovalenko.

Ao final do dia de segunda-feira, as autoridades pró-russas da província de Kherson, sob ocupação parcial no sul da Ucrânia, acusaram as forças de Kiev de um ataque que terá feito seis vítimas mortais. Segundo o porta-voz do governo de região, Volodmir Vasilenko, o alegado ataque terá acontecido domingo contra um mercado na cidade de Veliki Kopani, no centro da região, e faz oito feridos, além das vítimas mortais.

O ataque foi efetuado com um lança-foguetes HIMARS, de fabrico norte-americano, e visou "deliberadamente" civis, acrescentou o mesmo responsável.

O anúncio do alegado ataque surge numa altura de contínuos e violentos ataques russos contra infraestruturas civis ucranianas, sobretudo de produção de energia.Do outro lado, nas últimas horas, a Força Aérea da Ucrânia afirmou ter defendido o território ataques de mísseis balísticos e drones russos durante a noite. Pelo menos uma pessoa foi morta e 18 ficaram feridas.

A Ucrânia e a Rússia enviam diariamente dezenas de drones, mas a capital russa raramente é atingida.

No final de dezembro, um ataque maciço de drones ucranianos danificou edifícios e obrigou à retirada de populares na cidade de Kazan, no centro da Rússia, de acordo com a AFP.
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