Rússia aplica regime "antiterrorista" na região fronteiriça de Belgorod
O Kremlin colocou a região de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia e alegada área de ações de sabotagem, sob o "regime legal de uma zona de operação antiterrorista", anunciou o governador local, Vyacheslav Gladkov.
O regime antiterrorista, decidido pelos serviços de segurança (FSB), confere poderes especiais à polícia e às forças armadas.
Uma nota de imprensa do governador local explica que o regime permite a retirada de civis das zonas em causa, o aumento do controlo das telecomunicações, a facilitação de intervenções por parte de forças antiterroristas ou verificações de identidade e reforço de patrulhas.
As autoridades "apelam aos cidadãos para a vigilância, o cumprimento das ordens dos representantes da polícia e não interferência na ação da polícia", diz o comunicado de imprensa. É a primeira vez que uma região russa é colocada sob este regime desde a ofensiva russa na Ucrânia em fevereiro de 2022.O regime antiterrorista vigora há anos no Cáucaso russo, em particular na Chechénia, onde a Rússia travou uma rebelião de independência que mais tarde se transformou em uma força `jihadista` armada.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o presidente Vladimir Putin foi informado destes desenvolvimentos e que estão em curso trabalhos para expulsar os "sabotadores", informou a agência de notícias estatal RIA Novosti.
O governador Vyacheslav Gladkov disse no Telegram que o exército russo, guardas de fronteira, guarda presidencial e o serviço de segurança FSB estavam envolvidos na operação. Segundo Gladkov, pelo menos oito pessoas ficaram feridas e três casas e um prédio administrativo foram danificados.
Kiev nega envolvimento na incursão
O canal do Telegram Baza, que tem ligações aos serviços de segurança da Rússia, publicou imagens aéreas que aparentemente mostram um veículo blindado ucraniano a avançar no posto fronteiriço de Graivoron, mas a Ucrânia negou ter organizado a incursão armada andamento na região de Belgorod.
A operação foi reivindicada no Telegram por um grupo que se apresenta como pertencente à "Legião da Liberdade para a Rússia", ou de russos que lutam do lado ucraniano, que já havia afirmado estar por trás de incursões anteriores na mesma região.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14,7 milhões de pessoas - 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 8,2 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Pelo menos 18 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.
A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.
A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 8.895 civis mortos e 15.117 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.
c/ agências