Rússia declara bisneta do líder soviético Nikita Khrushchev como "agente estrangeira"
O Ministério da Justiça russo declarou sexta-feira Nina Khrushchev, professora numa universidade norte-americana e bisneta do líder soviético Nikita Khrushchev, como "agente estrangeira".
De acordo com o comunicado oficial, Khrushchev disseminou informações falsas sobre as ações das autoridades russas, manifestou-se contra a "operação militar especial" na Ucrânia e colaborou com outros "agentes estrangeiros", participando na divulgação de materiais informativos.
Khrushchev, nascida em Moscovo duas semanas depois de o seu bisavô ter deixado o poder, em outubro de 1964, tem sido bastante crítica em relação à guerra na Ucrânia e ao chefe do Kremlin, Vladimir Putin.
Residente nos EUA desde 1991, ano da dissolução da União Soviética, é atualmente professora de relações internacionais numa universidade de Nova Iorque.
Em 2024, publicou o livro "Nikita Khrushchev: Um Líder Fora do Sistema" em russo, aludindo ao líder soviético que iniciou o degelo tanto dentro como fora do país, e denunciando o culto da personalidade em torno do seu antecessor, Josef Estaline.
Khrushchev, que ocupou o cargo de secretário-geral da URSS desde a morte de Estaline em 1953 até à sua demissão em 1964, é acusado pelos ultranacionalistas de ter entregue ilegalmente a península da Crimeia à então República Socialista Soviética da Ucrânia em 1954.