Rússia exige que Ucrânia e antigas nações soviéticas fiquem fora da NATO

A Rússia elaborou um documento em que faz várias exigências à NATO, a meio de uma crise em que tem vários contingentes militares perto da fronteira com a Ucrânia. O rascunho já foi submetido aos Estados Unidos e restantes nações da NATO e pede que a Ucrânia e outras antigas nações soviéticas não tenham autorização para entrar no grupo transatlântico.

RTP /
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As exigências deverão ser rejeitadas pelos Estados Unidos e restantes aliados, que relembraram à Rússia que não tem nada a dizer sobre a expansão da NATO. O secretário-geral do grupo, Jens Stoltenberg, avisou que os russos não podem fazer exigências sem terem também atenção às demandas da NATO e que um diálogo teria de envolver obrigatoriamente a Ucrânia e outras nações.

Este é um documento que vem à luz do dia enquanto tensões entre Ocidente e Rússia aumentam com medos de uma invasão na Ucrânia por parte do Kremlin. Moscovo já negou tais intenções, mas exige ao Ocidente garantias legais para que a Ucrânia e outros vizinhos não entrem para a NATO.

Sergei Ryabkov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, disse que as relações entre o Kremlin e os Estados Unidos e seus aliados chegaram a um “ponto perigoso”, fazendo notar que os exercícios militares perto da fronteira com a Rússia levantaram ameaças sérias à segurança do país.

Um pacto assinado entre Moscovo e a NATO proíbe a presença de armamento e não permite a realização de exercícios militares perto das fronteiras com a Rússia e os membros da aliança transatlântica.

Ryabkov quer iniciar conversações com os Estados Unidos o mais cedo possível, garantir que não há uma expansão da NATO para o leste europeu, deixando de parte as antigas repúblicas soviéticas, e cancelar uma promessa de entrada para a aliança à Ucrânia e Geórgia.

A Rússia também pretende que a NATO não tenha bases militares no território ucraniano e outros países que ainda não fazem parte da aliança.

Há muito que Moscovo se queixa de voos estratégicos de bombardeiros norte-americanos perto da fronteira com a Rússia e do envio de contingentes militares para o Mar Negro, descrevendo todos estes movimentos como “desestabilizadores e provocatórios”.

As preocupações com segurança foram reveladas por Vladimir Putin na semana passada a Joe Biden numa videoconferência. Durante a conversa entre os dois líderes, o presidente norte-americano mostrou preocupações com o aumento de tropas russas na fronteira com a Ucrânia e avisou que o Kremlin pode ser alvo de consequências severas se a Rússia atacar o território vizinho.

A NATO disse à Rússia que tem de tomar medidas para reduzir as tensões e que há disponibilidade para diálogo e criar medidas de confiança entre as duas partes.

Os serviços secretos dos Estados Unidos revelaram que a Rússia colocou mais de 70 mil soldados na fronteira com a Ucrânia e está a preparar uma invasão no início do próximo ano. Moscovo rejeitou as alegações e acusou as autoridades ucranianas de planearem uma ofensiva para voltar a ganhar controlo da região leste da Ucrânia, liderada por rebeldes.

A Ucrânia negou qualquer intenção de o fazer.
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