Rússia faz ultimato a militares ucranianos na Crimeia
A Rússia fez um ultimato às forças militares ucranianas que ainda permanecem na Crimeia, ordenando-lhes que se rendam até às 03:00 GMT, caso contrário serão atacadas. As forças russas já controlam militarmente a situação em toda a península e cercam algumas pequenas guarnições ucranianas que recusaram, até agora, entregar as armas. Moscovo justifica a invasão do território ucraniano com a necessidade de responder “a ameaças ultranacionalistas” contra a população russa que é maioria na Crimeia. Kiev diz que o envio de tropas russas é “uma violação da soberania da Ucrânia” e uma “declaração de guerra” e ordenou a mobilização geral para combater a invasão.
O ultimato foi proferido pelo comandante da Frota Russa do Mar Negro, Alexander Vitko.
“Se não se renderem até às cinco da manhã [03:00 GMT de terça-feira] um verdadeiro assalto contra unidades e destacamentos das forças armadas ucranianas terá início por toda a Crimeia”, disse o comandante da frota russa citado pelo ministério ucraniano da Defesa e pela agência Interfax.
Um oficial colocado num dos dois navios da marinha ucraniana fundeados na baia de Sebastopol também confirmou a existência de ultimato à cadeia de TV Canal 5 da Ucrânia, e disse esperar um ataque para as próximas horas.
Ucrania avisa para "atos de provocação" iminentes
Entretanto, o vice-ministro do Interior Ucraniano, Mykola Velykovych avisou que estão a ser preparados “actos de provocação violentos” para justificar a utilização de força militar na Crimeia. “Pessoas desconhecidas que fingem ser do lado ucraniano planeiam matar dois ou três soldados russos para legitimar o envio de tropas para o território da Ucrânia” disse o governante, que não citou fontes.
Velykovych apelou aos desconhecidos em causa para que “caiam em si” porque isso iria provocar um banho de sangue “que ainda não aconteceu na Crimeia” e disse que a situação estava a ser monitorizada e que os responsáveis por um eventual ato desta natureza não deixariam de ser punidos. Propaganda russa fala de "milhares de deserções"
Na guerra de propaganda desencadeada do lado russo e ucraniano é difícil saber onde começa e acabam as cortinas de fumo.
Os canais de televisão russos falam da deserção de “milhares de efetivos” das forças armadas ucranianas que se teriam juntado às novas autoridades pró-russas da Crimeia. Não existe confirmação independente desta notícia. A única deserção confirmada, até agora, foi a do recém nomeado comandante da marinha ucraniana que, no fim de semana, anunciou publicamente a sua passagem para o campo pró-russo .
O porta-voz do ministério do Interior ucraniano, Evgeniy Perebyynis, disse entretanto que as noticias transmitidas nos média russos sobre a fuga de milhares de refugiados da Ucrânia para a Rússia, e de uma catástrofe humanitária iminente, são totalmente falsas. Prebenys também advertiu para a possibilidade de forças terrestres russas entrarem noutras partes do território ucraniano para além da Crimeia.
Moscovo anuncia ponte entre a Crimeia e a Rússia
No que parece uma confirmação da vontade russa de anexar permanentemente a Crimeia, ou mais um passo na guerra de nervos contra Kiev, Moscovo anunciou, entretanto, a construção de uma ponte que passará a ligar a península ao território russo, através do estreito de Kerch.
A largura do estreito varia entre os 4,5 e os 11 quilómetros e a construção de uma ponte era um plano já antigo, para substituir as demoradas ligações por ferry, mas o lado ucraniano tem vindo a opor-se à ideia.