Rússia planeia envio de bombardeiros aéreos para Golfo do México

O ministro da Defesa da Rússia anunciou que o país vai enviar bombardeiros aéreos de grande alcance para o Golfo do México. O plano insere-se numa estratégia de defesa russa, através do controlo das fronteiras norte-americanas, relembrando o período da Guerra Fria.

João Ferreira Pelarigo, RTP /
Um caça dos "Falcões da Rússia" voa numa demonstração de treino. Ilya Naymushin, Reuters

Sergey Shoigu, o ministro da Defesa, adiantou, na quarta-feira, que o plano russo de enviar bombardeiros de longo alcance é uma resposta ao crescimento do ressentimento internacional pela sua estratégia na Ucrânia. Acrescentou ainda que a Rússia vai aumentar a sua segurança na Crimeia, região que anexou da Ucrânia este ano.

“Isto [o plano] está relacionado com a situação na Ucrânia, com o crescimento de uma posição defensiva contra a Rússia da parte da NATO e reforço de presença militar estrangeira perto da nossa fronteira”, referiu Shoigu.

O ministro afirmou que os bombardeiros russos de longo alcance vão realizar voos ao longo da fronteira com a Rússia e sobre o oceano Ártico.Durante a Guerra Fria, aviões russos regularmente patrulhavam espaço marítimo norte-americano, o que terminou em 1991 com o colapso da União Soviética.

“Na situação atual, temos que manter a presença militar no Atlântico ocidental e a este do Pacífico, tal como nas Caraíbas e no Golfo do México”, disse Shoigu. “Devido a isso, como parte dos exercícios, os bombardeiros russos vão sobrevoar as fronteiras russas e o oceano Ártico”, concluiu.
Relações difíceis com o Ocidente
O aumento das operações aéreas em territórios internacionais tem posto a Rússia no centro de vários debates do ocidente, afetando as relações entre o país e as outras nações.

Em Portugal, foi detetada a presença russa, tanto no espaço aéreo como por via marítima. No dia 29 de outubro, a Força Aérea Portuguesa interceptou dois aviões russos junto à costa portuguesa, que não tinham plano de voo autorizado. Dois dias depois, voltaram a ser intercetadas mais duas aeronaves russas. No ínicio de novembro, uma embarcação foi escoltada para fora da ZEE  portuguesa.

Também em outubro, o exército sueco interceptou uma embarcação nas águas perto de Estocolmo, depois de ter tido acesso a uma mensagem de rádio de emergência em russo. Embora não tenha encontrado a embarcação subaquática, foi a maior caça submarina em águas suecas desde o fim da Guerra Fria.
Em março, as tropas russas tomaram a Crimeia, num conflito com milhares de mortes e que minou a relação entre a Rússia e o Ocidente.


Em setembro, os Estados Unidos interceptaram seis aviões russos, incluindo caças, no espaço aéreo junto ao Alaska, revelaram oficiais norte-americanos citados pela CNN. No mesmo mês, um estónio foi capturado junto à fronteira com a Rússia e acusado de espionagem, aumentando a tensão entre as duas nações.

O ministro da Defesa australiano avançou que está a ser monitorizada presença marítima russa nas águas internacionais do norte da Austrália.

Entre outros, estes incidentes estão descritos na “Perigosa Diplomacia Arriscada”, uma análise de mais de 40 encontros militares entre a Rússia e o Ocidente que ocorreram entre março e outubro.
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