Mundo
Rússia reconhece independência da Ossétia do Sul e Abecásia
A Presidente russo Dmitri Medvedev reconheceu a independência da Ossétia do Sul e da Abecásia. A decisão, que vai de encontro às expectativas das populações das duas regiões, opõe-se aos avisos da NATO e União Europeia devendo afastar ainda mais Moscovo do Ocidente.
Apenas um dia após os pedidos dos parlamentos russos (câmara alta e câmara baixa), o Presidente Medvedev anunciou hoje o reconhecimento da independência das repúblicas separatistas georgianas da Ossétia do Sul e Abecásia.
"Assinei os decretos sobre o reconhecimento pela Rússia da independência da Ossétia do Sul e da Abecásia. A Rússia apela aos outros Estados a que sigam o seu exemplo", declarou Dmitri Medvedev numa comunicação através da televisão russa.
"Não é uma opção fácil, mas é a única opção para preservar as vidas das pessoas", explicou o Presidente russo para depois apontar o dedo à Geórgia ao afirmar que "Tbilissi fez a sua escolha na noite de 7 para 8 de Agosto (quando lançou a ofensiva militar contra a Ossétia do Sul)".
O líder russo justificou ainda a sua decisão sublinhando que o Presidente georgiano Mikhail Saakachvili "optou pelo genocídio para atingir os seus objectivos políticos e traçou assim uma cruz sobre todas as esperanças de coabitação pacífica de ossetas, abcases e georgianos num mesmo Estado".
A Geórgia já reagiu à decisão de Medvedev, considerando que o reconhecimento dos Estados independentes "não tem qualquer valor legal" e deverá isolar ainda mais Moscovo na comunidade internacional.
Rumo da Abecásia e da Ossétia do Sul traçado na Duma
Esta segunda-feira foi um dia decisivo para as duas províncias separatistas, com a Duma, câmara baixa do Parlamento russo, a juntar-se à câmara alta na decisão de levar ao Presidente Dmitri Medvedev uma proposta para o reconhecimento da independência dos territórios.
Depois dos pedido nesse sentido por parte das próprias províncias rebeldes, na semana passada, a decisão foi tomada por unanimidade nos dois órgãos parlamentares russsos.
Horas antes da votação na Duma, Tatiana Iakovleva, dirigente do grupo Rússia Unida que detém a maioria no Parlamento, declarava que era chegada a hora de "declarar de forma clara que o ponto final desses anos de confrontação (no Cáucaso) não pode ser outra coisa que não o reconhecimento jurídico da independência das repúblicas da Abecásia e da Ossétia do Sul".
De acordo com a parlamentar, a preocupação de Moscovo deveria voltar-se para os territórios que não queriam converter-se numa colónia norte-americana, uma vez que o Presidente Saakachvili "tem como objectivo fazer da Geórgia um 51.º Estado norte-americano", perspectiva que ilustrava já o fosso de posições em relação ao Ocidente.
Lisboa concerta posição com parceiros
O Governo português está a efectuar contactos com os seus parceiros da NATO e da União Europeia para concertar uma posição sobre a decisão de Moscovo.
De acordo com a porta-voz do Ministério português dos Negócios Estrangeiros, o Executivo de Lisboa "está em contacto com os aliados para concertar uma posição". Paula Mascarenhas remete para mais tarde uma posição oficial.
Aquele que deverá tornar-se no dossier mais quente do xadrez internacional poderá afastar cada vez mais os russos do Ocidente.
Os Estados Unidos consideraram a posição de Moscovo inaceitável e França, Alemanha, Reino Unido e Itália também manifestaram já o seu desacordo face a esta decisão, que classificam de lamentável e uma violação do direito internacional.
Paris, que ocupa actualmente a Presidência da União Europeia, já se pronunciou sobre o que considera uma "decisão lamentável", para defender o retorno da integridade do território da Geórgia.
"Assinei os decretos sobre o reconhecimento pela Rússia da independência da Ossétia do Sul e da Abecásia. A Rússia apela aos outros Estados a que sigam o seu exemplo", declarou Dmitri Medvedev numa comunicação através da televisão russa.
"Não é uma opção fácil, mas é a única opção para preservar as vidas das pessoas", explicou o Presidente russo para depois apontar o dedo à Geórgia ao afirmar que "Tbilissi fez a sua escolha na noite de 7 para 8 de Agosto (quando lançou a ofensiva militar contra a Ossétia do Sul)".
O líder russo justificou ainda a sua decisão sublinhando que o Presidente georgiano Mikhail Saakachvili "optou pelo genocídio para atingir os seus objectivos políticos e traçou assim uma cruz sobre todas as esperanças de coabitação pacífica de ossetas, abcases e georgianos num mesmo Estado".
A Geórgia já reagiu à decisão de Medvedev, considerando que o reconhecimento dos Estados independentes "não tem qualquer valor legal" e deverá isolar ainda mais Moscovo na comunidade internacional.
Rumo da Abecásia e da Ossétia do Sul traçado na Duma
Esta segunda-feira foi um dia decisivo para as duas províncias separatistas, com a Duma, câmara baixa do Parlamento russo, a juntar-se à câmara alta na decisão de levar ao Presidente Dmitri Medvedev uma proposta para o reconhecimento da independência dos territórios.
Depois dos pedido nesse sentido por parte das próprias províncias rebeldes, na semana passada, a decisão foi tomada por unanimidade nos dois órgãos parlamentares russsos.
Horas antes da votação na Duma, Tatiana Iakovleva, dirigente do grupo Rússia Unida que detém a maioria no Parlamento, declarava que era chegada a hora de "declarar de forma clara que o ponto final desses anos de confrontação (no Cáucaso) não pode ser outra coisa que não o reconhecimento jurídico da independência das repúblicas da Abecásia e da Ossétia do Sul".
De acordo com a parlamentar, a preocupação de Moscovo deveria voltar-se para os territórios que não queriam converter-se numa colónia norte-americana, uma vez que o Presidente Saakachvili "tem como objectivo fazer da Geórgia um 51.º Estado norte-americano", perspectiva que ilustrava já o fosso de posições em relação ao Ocidente.
Lisboa concerta posição com parceiros
O Governo português está a efectuar contactos com os seus parceiros da NATO e da União Europeia para concertar uma posição sobre a decisão de Moscovo.
De acordo com a porta-voz do Ministério português dos Negócios Estrangeiros, o Executivo de Lisboa "está em contacto com os aliados para concertar uma posição". Paula Mascarenhas remete para mais tarde uma posição oficial.
Aquele que deverá tornar-se no dossier mais quente do xadrez internacional poderá afastar cada vez mais os russos do Ocidente.
Os Estados Unidos consideraram a posição de Moscovo inaceitável e França, Alemanha, Reino Unido e Itália também manifestaram já o seu desacordo face a esta decisão, que classificam de lamentável e uma violação do direito internacional.
Paris, que ocupa actualmente a Presidência da União Europeia, já se pronunciou sobre o que considera uma "decisão lamentável", para defender o retorno da integridade do território da Geórgia.