Rússia. Socialistas com forte presença em protestos contra a guerra

Desde 24 de fevereiro, que a Rússia invade o território ucraniano. Vladimir Putin falou ao país e disse que o objetivo é desnazificar e desmilitarizar a Ucrânia, naquilo que chama uma “operação militar especial”. Os meios de comunicação são controlados, a população recebe pouca informação sobre o que acontece no país vizinho mas muitos socialistas mostram-se contra a invasão e sofrem repressão por parte das autoridades por protestarem.

RTP /
Reuters

A informação é controlada. Na Rússia, os media estatais não falam em invasão, não falam em guerra. Muita população pensa que a agressão russa é uma operação militar mas muitos outros mostram estar contra a descrição de Vladimir Putin sobre o que está a acontecer na Ucrânia e vão para as ruas protestar.

As opiniões contrárias são generalizadas. Os mais novos, com menos de 35 anos, os socialistas opositores a Putin, são os que mais enchem as ruas e os que mais vezes são presos. Estas são pessoas que conseguem contornar a censura do Kremlin e ver outras fontes de informação para além das russas.

Na sequência da invasão na Ucrânia, Putin decretou que a disseminação de “fake news”, ou seja, notícias contrárias ao que o Kremlin considera ser a operação do país, seja punida com 15 anos de prisão.

O jornal norte-americano Jacobin esteve na Rússia, em várias cidades, falando com muitos dos opositores, não só à guerra mas também a Putin. Na maioria, os opositores não dão o nome, mas dão uma ideia de quem ainda tem coragem para sair às ruas para protestar, e falam dos outros que sabem que o protesto é um gesto insignificante na Rússia devido à repressão das autoridades.

Muitos ativistas mostraram-se perplexos pela falta de atenção dos russos sobre o que está a acontecer na Ucrânia. V, uma ativista de Moscovo, diz que o primeiro dia de invasão foi aquele em que viu mais protestatários na rua.

“A maior manifestação na capital foi a 24 de fevereiro, no dia da invasão, enquanto nos dias seguintes a polícia prendeu toda a gente com ar suspeito, não dando a oportunidade de grupos se juntarem para protestar”.

Apesar de ter pouca informação das televisões, V. diz que se nota a tensão cada vez mais crescente na cidade.

“Quase toda a gente sabe – é impossível não reparar no aumento de policiamento, detenções brutais”.

Na cidade de Ecaterimburgo, outra ativista falou do que aconteceu na cidade. Quando notícias da guerra chegaram, diz M., as pessoas encheram a praça principal. “A polícia simplesmente não sabia o que fazer, até haver uma ordem sobre como proceder”.

A ativista explicou que a maioria dos manifestantes também é jovem. “A praça estava cheia de jovens, nunca vi tantas pessoas na casa dos vinte anos, juntas num protesto. Gritámos “não à guerra” e pedimos a demissão de Putin. Então apareceu a polícia e serparou-nos em grupos pequenos”.

Apesar dos protestos, os números de pessoas que aparecem são cada vez menores. Aleksey Bushmakov, advogado, disse que os centros de detenção de Ecaterimbrugo estiveram completamente cheios no dia 1 março. O advogado explicou que poucas pessoas começaram a sair à rua, por haver maior policiamento.

Apesar de se falar de ativistas socialistas, a verdade é que o Partido Comunista na Rússia tem pouca margem de manobra, seguindo muitas vezes a linha política de Vladimir Putin no parlamento.

Duas semanas depois da invasão, existem poucas evidências de que a população consiga parar a ofensiva militar.
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