Rússia vai inaugurar o museu do "genocídio do povo soviético" em substituição do Museu de História do Gulag

Rússia vai inaugurar o museu do "genocídio do povo soviético" em substituição do Museu de História do Gulag

Moscovo irá inaugurar o museu dedicado às "vítimas do genocídio soviético" durante a Segunda Guerra Mundial, em substituição do Museu de História do Gulag, encerrado em novembro de 2024 por alegadas razões de segurança. A inauguração está prevista para este ano.

RTP /
AFP News

Num comunicado, publicado no site oficial do Museu de História do Gulag, é anunciado que o novo “Museu da Memória” será dedicado às “vítimas do genocídio do povo soviético”, e irá abranger “todas as fases dos crimes de guerra nazis durante a Grande Guerra Patriótica, termo usado para a frente soviética durante a Segunda Guerra Mundial. Durante este conflito, estima-se que 27 milhões de pessoas tenham sido mortas.

"O primeiro museu memorial nacional dedicado às vítimas do genocídio do povo soviético será inaugurado na capital”, avança o Departamento da Cultura de Moscovo à agência Interfax, anunciando que o novo complexo irá reunir “evidências históricas diversas e histórias de pessoas reais numa única exposição”.

Alguns dos objetivos e instalações temáticas irão incluir um vagão de comboio usado para transportar pessoas para campos de concentração.

A diretora do novo museu será Natalia Kalashnikova, atual diretora do Museu da Fortaleza de Smolensk.

Criado em 2001, o Museu de História do Gulag foi fechado em novembro de 2024 por alegadas violações das normas de segurança contra incêndios, mas, segundo o jornal The Moscow Times, citando um funcionário do governo de Moscovo, “não foram identificadas nenhumas violações da segurança contra incêndios”.

O encerramento do museu veio numa altura em que o regime russo tem vindo a intensificar ataques contra institutos culturais que questionem a interpretação da história feita pelo Estado.

O museu mostrava a história da rede de campos de trabalho forças criada por Estaline, em 1930 e que esteve em operação até 1960. Serviam para punir presos políticos e opositores do regime estalinista, e estimam-se que cerca de 18 milhões de pessoas tenham sido presas e 1,6 milhões morrido.

Nos manuais escolares, os capítulos dedicados ao período estalinista têm sido reduzidos, omitindo ou desvalorizando passagens sobre as perseguições e mortes de Estaline, em detrimento da valorização da resistência soviética durante a Segunda Guerra Mundial, que tem sido usada por Vladimir Putin para justificar a guerra na Ucrânia.
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