Rússia vai pedir ao Hamas para reconhecer Israel

A Rússia vai aconselhar o Hamas a reconhecer Israel durante o encontro em Moscovo entre uma delegação do movimento e o presidente russo, Vladimir Putin, declarou hoje o emissário russo ao Médio Oriente, Alexandre Kaluguine.

Agência LUSA /

Após um encontro em Ramallah com o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mahmud Abbas, Kaluguine disse aos jornalistas ter referido ao líder palestiniano que Moscovo tentará convencer o Hamas a reexaminar a sua posição face a Israel.

"Discutimos sobre a visita do Hamas a Moscovo e entreguei a Abbas uma carta do presidente Putin que confirma o apoio da Rússia à ANP e ao seu presidente", disse.

Na semana passada, Putin convidou o movimento radical palestiniano a deslocar-se a Moscovo para ser procurada uma saída para o conflito israelo-palestiniano.

"Pediremos ao Hamas que reconheça Israel, renuncie aos seus ataques contra o território israelita e respeite os acordos entre a Autoridade Nacional Palestiniana e o Estado judaico", afirmou o presidente russo.

O Hamas deve "respeitar e aplicar as decisões do Quarteto de Madrid" (Estados Unidos, Rússia, ONU e UE), acrescentou.

Os líderes do Hamas, que formarão o novo governo palestiniano após a sua vitória nas legislativas, acolheram com agrado a iniciativa de Putin, mas um porta-voz do movimento disse hoje em Gaza que o grupo ainda não recebeu um convite oficial para se deslocar a Moscovo.

Em declarações aos jornalistas em Gaza, Sambi Abu Zuhri referiu que "existem informações sobre uma possível visita de dirigentes do Hamas a Moscovo no final de Fevereiro", mas até agora ainda não foi recebido qualquer convite oficial.

O movimento islamista palestiniano, cujos estatutos preconizam a destruição do Estado de Israel, reivindicou a maioria dos atentados suicidas destes últimos anos.

Os Estados Unidos e a União Europeia consideram o Hamas como uma organização terrorista, contrariamente à Rússia.

O Quarteto de Madrid condicionou o prosseguimento das relações com o Hamas ao reconhecimento por este do direito de Israel a existir e ao abandono da violência.

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