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Russos na Venezuela. "Não se preocupem", diz Moscovo a Washington
Uma centena de militares russos aterrou em Caracas e Donald Trump reagiu como é seu costume. "Têm de se ir embora", avisou o Presidente norte-americano. Esta quinta-feira, finalmente, Moscovo deu explicações, concertadas e resumidas a "não se preocupem".
A presença dos militares da Rússia na Venezuela deve-se a "obrigações contratuais", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, e são apenas "especialistas" e não uma ameaça, explicou a porta-voz do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova.
Ambos aproveitaram para lançar farpas à Administração Trump, recomendando, diplomaticamente, a Washington, que respeite a Rússia e se meta na sua vida.
Patrick Shanahan, secretário da Defesa dos EUA em exercício, desdenhou as garantias russas de que a presença das suas tropas na Venezuela não são uma ameaça à segurança. "Não sei se acredito sempre no que eles dizem", comentou esta quinta-feira.
A Rússia, com quem o Governo do Presidente Nicolás Maduro assinou em 2011 vários contratos de fornecimento de material militar, foi dos poucos países a manter o apoio ao Presidente eleito venezuelano.
Já os Estados Unidos, a União Europeia e a maioria dos países da América latina e do sul, apoiaram as pretensões de Juan Guaidó, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e líder da oposição, que em janeiro se autoproclamou Presidente interino, depois de acusar Maduro de se ter feito eleger de forma fraudulenta.
Ambos aproveitaram para lançar farpas à Administração Trump, recomendando, diplomaticamente, a Washington, que respeite a Rússia e se meta na sua vida.
"Não pensamos que países terceiros tenham de se preocupar com os nossos laços bilaterais", disse Peskov. “Nós não nos ingerimos de forma alguma nos assuntos internos da Venezuela e esperamos de outros países que sigam o nosso exemplo e deixem os venezuelanos decidirem eles próprios o seu destino”, acrescentou.
“Já os Estados Unidos estão presentes em muitos locais do mundo, mas ninguém diz a Washington onde deve e onde não deve estar. É por isso que esperamos que o nosso direito a estabelecer relações com outros países, tendo por base os nossos interesses e os interesses desses países, seja respeitado”, sublinhou ainda o porta-voz do Kremlin.
Zakharova garantiu, na sua própria conferência de imprensa semanal, que
"a Rússia não está a alterar o equilíbrio de poder na região, a Rússia
não está a ameaçar ninguém, ao contrário de Washington".
Os militares russos ficarão na Venezuela tanto tempo "quanto o necessário", acrescentou.
As explicações mais extensas para as movimentações militares russas
vieram do adido militar venezuelano em Moscovo, José Rafael Torrealba
Perez. "A presença de tropas russas na Venezuela está ligada a
conversações sobre cooperação técnico-militar", referiu.
"Todas as opções na mesa"
Quase cem soldados russos desembarcaram em Caracas, sábado passado, transportados por dois aviões. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, avisou que a "intromissão persistente de pessoal militar russo para apoiar o regime ilegítimo de Nicolás Maduro" não será tolerada, afirmando que os Estados Unidos não ficarâo "de braços cruzados".
Quarta-feira, após receber na Casa Branca a mulher do autoproclamado Presidente venezuelano, Juan Guaidó, Donald Trump sentenciou que os militares russos “têm de sair da Venezuela”.
Trump acrescentou que “todas as opções estão em cima da mesa” para obrigar Moscovo a retirar do país, mergulhado numa grave crise económica e política.
Avisos da UE
A Comissão Europeia reagiu à crescente tensão avisando que a presença de militares russos "cria obstáculos" a uma solução pacífica na Venezuela.
"A situação na Venezuela está muito polarizada. Todos os atos ou gestos que intensifiquem a escalada de tensões só vão criar mais obstáculos a uma solução pacífica e democrática para a crise na Venezuela", afirmou o porta-voz da Comissão para a área da cooperação internacional e desenvolvimento, Carlos Martin Gordejuela.
Segundo o responsável, que falava na habitual conferência de imprensa diária, a União Europeia (UE) "continua a trabalhar para uma solução pacífica e democrática, incluindo através do Grupo de Contacto Internacional", que hoje se reúne em Quito, no Equador, para uma segunda reunião ministerial.
Portugal é um dos oito países da UE representado na reunião, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.
O grupo de contacto tem como meta definir um plano, em 90 dias, para um futuro processo político pacífico na Venezuela.
Apoio russoSegundo o responsável, que falava na habitual conferência de imprensa diária, a União Europeia (UE) "continua a trabalhar para uma solução pacífica e democrática, incluindo através do Grupo de Contacto Internacional", que hoje se reúne em Quito, no Equador, para uma segunda reunião ministerial.
Portugal é um dos oito países da UE representado na reunião, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.
O grupo de contacto tem como meta definir um plano, em 90 dias, para um futuro processo político pacífico na Venezuela.
A Rússia, com quem o Governo do Presidente Nicolás Maduro assinou em 2011 vários contratos de fornecimento de material militar, foi dos poucos países a manter o apoio ao Presidente eleito venezuelano.
Já os Estados Unidos, a União Europeia e a maioria dos países da América latina e do sul, apoiaram as pretensões de Juan Guaidó, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e líder da oposição, que em janeiro se autoproclamou Presidente interino, depois de acusar Maduro de se ter feito eleger de forma fraudulenta.
Maduro diz que Guaidó é apenas um fantoche de Washington e acusa os norte-americanos de apenas estarem interessados no acesso ao petróleo venezuelano.
C/Lusa