Rutura climática pode reduzir capacidade de terras para pastagem em 50% até 2100
Entre um terço e 50% das terras que têm hoje condições favoráveis para pastagens vão perder essa capacidade até 2100, devido ao aumento da temperatura, concluiu um estudo do Instituto de investigação de Potsdam sobre as alterações climáticas (PIK).
Esta atividade consiste em criar animais, como vacas, cabras e ovelhas, em espaços naturais, pradarias, na sua maioria, que cobrem cerca de um terço da superfície terrestre.
Até agora, estes sistemas agrícolas têm prosperado dentro de intervalos de temperatura (entre 3ºC negativos e 29°C), de precipitação (entre 50 e 2627 milímetros por ano), de humidade (de 39% a 67%) e velocidade do vento (entre um metro e seis metros por segundo).
É o que o estudo, publicado hoje na revista PNAS, chama "um espaço climático seguro".
Mas, com a rutura climática global, estes parâmetros podem mudar e inutilizar um espaço de pastagem.
"As alterações climáticas vão reduzir os espaços onde a pastagem pode prosperar, comprometendo práticas agrícolas que existem desde há séculos", disse Maximilian Kotz, co-autor do estudo e investigador do PIK e do Barcelona Supercomputing Center.
Segundo o cenário analisado, o estudo estima que entre 100 milhões a 400 milhões de pastores e criadores de gado podem ser afetados, bem como até 1,6 milhões de animais. O estudo estima que entre 51% e 81% das populações residem em países com fraco rendimento.
"É importante sublinhar que numerosas mudanças vão ser sentidas em países que já sofrem fome, instabilidade económica e política e níveis muito elevados de desigualdade de género", realçou o autor principal, Chaohui Li, investigador do PIK na altura da realização do estudo e hoje no Barcelona Supercomputing Center.
A África é particularmente vulnerável e pode perder de 16% a 65% das suas pradarias, segundo a gravidade do cenário considerado.
As temperaturas no continente africano j+a se situam no limite do "espaço climático seguro".
Estas conclusões, que em certos casos preveem o desaparecimento puro e simples de algumas pastagens, colocam em questão "a eficácia das estratégias de adaptação (...), como as mudanças de espécies ou a migração de rebanhos", disse Prajal Pradhan, investigador do PIK e professor na Universidade de Groningue.
"Reduzir as emissões, através do afastamento rápido os combustíveis fósseis é a melhor estratégia de que dispomos para minimizar estes estragos potencialmente existenciais para a criação de gado", concluiu Chaohui Li.
Segundo a agência da ONU para a alimentação e a agricultura, 26% da superfície terrestre e 70% da superfície agrícola estão cobertos de pradarias, que contribuem para a subsistência de mais de 800 milhões de pessoas.