Ryanair. Pilotos espanhóis planeiam cinco dias de greve

O sindicato espanhol de pilotos anunciou esta quarta-feira que vai convocar uma greve nacional entre os pilotos da Ryanair. O protesto contra os planos de encerramento de algumas bases vai decorrer nos dias 19, 20, 22, 27 e 29 de setembro.

RTP /
Boeing 737-800 da companhia aérea Ryanair Reuters - Ints Kalnins

Um anúncio feito pela companhia aérea irlandesa, Ryanair, voltou a gerar uma onda de contestações.

Na semana passada, a Ryanair anunciou que, em janeiro do próximo ano, vai encerrar quatro bases aéreas espanholas, nomeadamente a de Las Palmas, Tenerife Sur, Lanzarote e Girona. Devido a esta medida, mais de 500 pilotos e tripulantes podem vir a ser despedidos.

O sindicato espanhol de pilotos, SEPLA, decidiu convocar uma greve durante cinco dias para combater esta decisão. O protesto anunciado pelos pilotos vai coincidir com as paragens previamente marcadas pela tripulação da Ryanair.

"Esperamos que a empresa reconsidere a sua decisão, que não é protegida por nenhuma motivação económica, já que a Ryanair continua a anunciar lucros ano após ano", afirmaram alguns membros da seção sindical da companhia aérea irlandesa.

Nos cinco dias de greve, marcados para os dias 19, 20, 22, 27 e 29 do próximo mês, cerca de 900 pilotos vão estar em protesto contra o encerramento dessas quatro bases espanholas.

O Ministério do Desenvolvimento espanhol já estabeleceu os serviços mínimos para os primeiros dias de greve da tripulação da companhia aérea.

Os voos não peninsulares, nas Ilhas Canárias e Baleares, vão realizar-se dentro da normalidade; 60 por cento dos voos peninsulares e internacionais, com deslocamento igual ou superior a 5 horas, também vão ser concretizados. Em relação aos voos peninsulares com tempo de viagem inferior a 5 horas, os serviços mínimos apenas garantem que se realizem cerca de 35 por cento.

“Mais uma vez, estamos a enfrentar serviços mínimos abusivos, superiores aos apelos anteriores à greve, uma vez que estabelecem o arredondamento por excesso, o que limita o direito dos trabalhadores a apoiarem a greve”, começou por referir o secretário do sindicato USO, Jairo Gonzalo.

Ninguém neste Governo olha por nós e pelo futuro dos 512 trabalhadores que podem perder os empregos devido ao encerramento das bases”, acrescentou.

Na semana passada, os tripulantes das bases portuguesas da companhia low cost também estiveram em greve, mas a paralisação não causou qualquer tipo de perturbação significativa.

A Ryanair garantiu que “operou todo o seu calendário de voos portugueses, com zero cancelamentos, graças ao ótimo trabalho” dos pilotos portugueses e da tripulação que “não apoiaram esta greve injustificada”.

No entanto, este desfecho positivo não implica que a contestação marcada para o próximo mês, por parte dos pilotos espanhóis, não traga complicações à companhia aérea irlandesa.
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