SADC envia ajuda. Quase 100 mil pessoas em centros de abrigo em Moçambique devido às cheias

SADC envia ajuda. Quase 100 mil pessoas em centros de abrigo em Moçambique devido às cheias

As cheias afetaram 141.317 famílias, com registo de 3.445 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 153.417 inundadas.

Lusa /
Foto: Amilton Neves - Reuters

Quase 100 mil pessoas estão em centros de abrigo em Moçambique, devido às cheias que afetaram 652.189 pessoas desde 7 de janeiro, com 12 mortos, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso, com dados até às 16:00 (14:00 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram o equivalente a 141.317 famílias, com registo de 3.445 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 153.417 inundadas, agravando o último balanço, de sábado.

Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias em cerca de 15 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.

Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 131 pessoas em Moçambique, além de 144 feridos, e 779.528 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.

Até 16 de janeiro, era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique (que vai de outubro a abril), avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.

Segundo os dados de hoje, estão atualmente ativos 99 centros de acomodação - mais cinco face a sábado -, com 99.907 pessoas (mais 5.000), incluindo 19.556 que tiveram de ser resgatadas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 7 de janeiro, 229 unidades sanitárias e 364 escolas, três pontes e 1.336 quilómetros de estrada.

No registo do INGD aponta-se ainda para 285.720 hectares de área agrícola afetados, atingindo a atividade de 214.147 agricultores, além da morte de 325.578 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

Hoje prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem descargas, por falta de capacidade de encaixe.

Estão envolvidos nestas operações mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.

Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.SADC envia equipa de emergências


A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) enviou uma Equipa de Resposta a Emergências (ERT) para apoiar Moçambique e África do Sul face às cheias das últimas semanas, anunciou a organização, em comunicado.

Na informação é referido que o envio desta força é "parte dos mecanismos regionais de resposta a catástrofes" da SADC e "visa apoiar os esforços liderados pelos governos dos Estados-membros que foram severamente afetados por catástrofes".

"A ERT da SADC estará em Moçambique e na África do Sul de 23 a 31 de janeiro de 2026, prestando apoio às autoridades nacionais na resposta a emergências, operações de recuperação inicial, monitorização contínua da situação e consolidação de um apelo humanitário regional, com base nas avaliações de impacto em constante evolução", lê-se no comunicado.

Acrescenta que, nas últimas semanas, "as chuvas prolongadas resultaram em transbordamentos de rios, rutura de barragens, cheias repentinas e inundações de zonas baixas" em vários países da SADC, incluindo Essuatíni, Maláui, Zâmbia e Zimbábue.

"Sendo Moçambique e África do Sul os países mais afetados e que necessitam de assistência humanitária. Em outubro de 2025, mais de um milhão de pessoas foram afetadas pelas cheias em diversos Estados-membros, com algumas comunidades deslocadas e pessoas a perderem a vida, o que evidencia a necessidade urgente de uma resposta regional coordenada para apoiar as comunidades afetadas", lê-se ainda.

Quase 100 mil pessoas estão em centros de abrigo em Moçambique, devido às cheias que afetaram 652.189 pessoas desde 7 de janeiro, com 12 mortos, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
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