Santorum ao ataque no último debate antes de primárias da Carolina do Sul

Nova Iorque, 20 jan (Lusa) - O ex-senador Rick Santorum dirigiu hoje fortes críticas aos seus adversários Mitt Romney e Newt Gingrich no último debate antes das primárias republicanas na Carolina do Sul, proclamando-se o candidato que melhor contrasta com Barack Obama.

© 2012 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Enquanto Romney e Gingrich, que surgem como mais prováveis vencedores nas primárias de sábado, elegeram principalmente o presidente democrata como alvo, Santorum, em terceiro lugar nas sondagens, assumiu uma postura agressiva desde o início do debate de duas horas transmitido para todo o país pela CNN, apenas com quatro candidatos depois da desistência do governador do Texas, Rick Perry.

A reforma do sistema de saúde no Estado do Massachussetts enquanto Romney era governador foi "um falhanço abjeto" e inspirou o modelo seguido pela de Obama a nível nacional, que todos os candidatos republicanos querem descartar, acusou Santorum, que também acusou Gingrich de ter defendido no passado um sistema semelhante ao democrata.

"Eles não apresentam contrastes claros como eu", disse o ex-senador da Pensilvânia, o mais votado na primeira etapa das primárias, o Iowa, mas que caiu para quarto lugar no New Hampshire.

Gingrich, que liderou a Câmara dos Representantes durante quatro anos, foi ainda acusado por Santorum, que integrava a bancada republicana e, de ter sido um líder inconstante, com "falta de capacidade para executar, "nenhuma disciplina" e com "um problema com a grandiosidade".

"Não queremos ter um candidato presidencial para andar com medo, a pensar no que ele vai dizer a seguir (...) Sou constante, sólido, não vou fazer coisas que deixem as pessoas preocupadas. Vou atrás de Obama", disse Santorum, reconhecendo não ser "o mais vistoso nem o que recolhe mais aplausos".

Gingrich viu-se novamente à defesa, afirmando que o seu "projeto grandioso" foi "uma maioria republicana na Câmara", em que cortou impostos, equilibrou orçamentos e defendeu políticas conservadoras, durante a administração Reagan.

Romney aproveitou a discussão para a apresentar como exemplo de que a Casa Branca precisa de alguém de "fora de Washington" e rebateu a referência a Reagan afirmando que o ex-presidente apenas menciona Gingrich uma vez nas suas memórias, porque "deu uma ideia numa reunião que não era assim tão boa".

Para o ex-líder da Câmara dos Representantes, a principal arma contra Romney foram os impostos: durante o debate divulgou a sua declaração de rendimentos, algo que tem desafiado o milionário ex-governador do Massachussetts a fazer.

Romney voltou a dizer que o pretende fazer apenas em abril, mas respondeu "não saber" se irá divulgar vários anos de declarações, o que motivou apupos do público.

"Não vou pedir desculpa por ser bem sucedido. (...) O que tenho mereci, trabalhei muito à maneira americana", justificou-se Romney.

O ex-governador disse esta semana pagar uma taxa de apenas 15 por cento sobre os seus rendimentos, menos que a maioria dos norte-americanos.

A imigração ilegal ofereceu novamente um pretexto a Santorum para atacar os seus rivais, acusando Romney de ter mudado de opinião, algo que "tem feito isso em vários assuntos", como o aborto, em que se envolveu numa discussão até com o mais ausente Ron Paul.

Para Gingrich, o debate começou praticamente com uma ovação de pé, quando reagiu "indignado" por a primeira pergunta do moderador John King ser sobre as acusações de infidelidade, feitas pela sua ex-mulher na cadeia de televisão ABC.

O facto de as acusações surgirem a poucos dias das eleições é "desprezível" e serve para "proteger Obama", acusou Gingrich, visivelmente incomodado.

Instados a comentar, Romney disse preferir "discutir os assuntos reais", mas Santorum sublinhou a importância de se tratar de "um assunto de carácter para que as pessoas têm de olhar".

Para Ron Paul os "ataques da comunicação social não se baseiam em factos", mas os "valores são importantes".

Tópicos
PUB