São Tomé e Príncipe. Líder do Movimento Basta demite-se mas fica até haver novo Governo

São Tomé e Príncipe. Líder do Movimento Basta demite-se mas fica até haver novo Governo

O presidente do Movimento Basta anunciou hoje a demissão, alegando não ter alcançado o objetivo de vencer as eleições são-tomenses de domingo, mas ressalvou que se manterá no cargo até existir um novo Governo.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Levy Nazaré estimou que o partido manteve os dois deputados no parlamento e a autarquia de Lobata, mas apontou que o facto de o partido não ter crescido sob a sua presidência dita a sua saída, mas que esta só se vai concretizar após liderar eventuais negociações para a formação do Governo, rejeitando, contudo, a possibilidade de integrar o novo executivo.

"Coloquei o meu lugar de presidente do partido do Movimento Basta à disposição. (...) Tem de ser marcado um congresso extraordinário e nesse congresso extraordinário eletivo não serei mais candidato a presidente", assegurou.

"Mesmo pondo já o meu lugar à disposição, nessas próximas semanas irei, obviamente, presidir a qualquer delegação do partido (...) até se concluir todo esse processo, até que se encontre um Governo estável, um Governo com suporte parlamentar", explicou.

O dirigente partidário rejeitou qualquer possibilidade de vir a integrar o novo executivo: "Não estou disponível para ser membro do Governo. Mas não quero com isso dizer que (...) outros dirigentes do partido não possam ser chamados e fazer parte do Governo".

Segundo Levy Nazaré, os resultados preliminares das legislativas mostram que "ninguém ganhou com maioria absoluta" e que "existe quase um empate técnico", pelo que se desconhece "as maiorias que poderão surgir no parlamento".

O Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) conquistou mais 367 votos do que a Ação Democrática Independente (ADI) nas eleições legislativas de domingo, avançou hoje a Comissão Eleitoral Nacional (CEN).

Em conferência de imprensa para divulgar os resultados preliminares, o presidente da CEN, Jeudiger do Nascimento, recusou avançar o número de mandatos conquistados pelos partidos nos respetivos círculos eleitorais, afirmando que esta é uma competência do Tribunal Constitucional (TC).

Pouco depois, o primeiro-ministro da ADI, Américo Ramos, admitiu um empate técnico entre o seu partido e o MLSTP, cada um com 24 mandatos assegurados no parlamento.

Contudo, o líder do MLSTP já declarara antes vitória, garantindo que o partido conquistou um número superior a 26 mandatos, perto da maioria absoluta.

Américo Barros organizou mesmo esta tarde uma caravana pela capital para celebrar a conquista, 24 anos depois de ter sido a formação política mais votada numas legislativas.

Segundo a comissão eleitoral, dos quase 150 mil eleitores inscritos, só foram contabilizados 47.203 votos válidos, com o MLSTP a garantir 17.551 e a ADI 17.184.

Já o Movimento Basta assegurou 4.410 e a coligação Movimento de Cidadão Independente/Partido de Unidade Nacional (MCI-PUN) 4.142.

A abstenção foi ligeiramente menor do que o valor recorde verificado nas presidenciais de julho (58,81%), mas ainda assim atingiu os 58,66%.

Nas legislativas, concorreram quatro partidos com assento parlamentar: Ação Democrática Independente (ADI); Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP); a coligação Movimento de Cidadão Independentes/Partido de Unidade Nacional (MCI-PUN); e o Movimento Basta.

E outros três partidos sem assento parlamentar: o Partido de Convergência Democrática (PCD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) e o recém-criado Movimento Político Nossa Terra.

Para as legislativas estavam em disputa 55 assentos da Assembleia Nacional e quase 150 mil eleitores encontravam-se inscritos, um aumento de quase quatro mil em relação às eleições presidenciais de 19 de julho, quando foi reeleito Carlos Vila Nova, à primeira volta.

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