Mundo
Sarah Palin acusada de usar expressão antissemita
Sarah Palin condena detratores que a acusam de ser moralmente responsável pela tragédia de sábado, de usarem um ”libelo de sangue” o que, longe de apaziguar, incendiou ainda mais o clima tenso que se vive nos Estados Unidos. A influente comunidade judaica já veio a público demonstrar o seu desagrado pelo uso da expressão que justificou ao longo da história a perseguição ao seu povo. A Câmara de deputados uniu-se pela pacificação do discurso político e em defesa da liberdade de expressão.
O Congresso dos Estados Unidos preparava-se para aprovar, com o apoio dos dois partidos, uma resolução contra o clima de intimidação criado por alguns discursos políticos, quando Sarah Palin, a ex-candidata a vice-presidente dos Estados Unidos, totalmente imune a questões sentimentais, incendiou o já tenso clima político norte-americano ao declarar-se vítima de “um libelo de sangue” e persistindo numa retórica semelhante à que levou alguns a apontá-la como uma das grandes causas da matança de Tucson.
No passado fim-de-semana, um homem matou a tiro seis pessoas, incluindo uma criança de nove anos, e deixou gravemente ferida a congressista democrata Gabrielle Giffords – tendo sido esta última o alvo do ataque – no Centro McKAle memorial, em Tucson. Gabrielle Giffords luta entre a vida e a morte, embora a cada dia que passe aumentem as esperanças de que possa salvar-se.
Sarah Palin publicou um video na sua página de Facebook com o propósito de explicar a sua posição e conseguir desvincular-se dos trágicos acontecimentos, mas ao usar “libelo de sangue” – frase que foi historicamente utilizada para justificar o antissemitismo - agudizou de imediato a polémica em torno das afirmações proferidas ao longo da sua carreira política, aprofundando o abismo que a separa dos seus críticos.
Mal carregou o seu vídeo na internet, uma intensa discussão teve início e durante horas mantiveram-se intensas conversas entre os internautas sobre as verdadeiras intenções da antiga número dois de John McCain na corrida à casa Branca ao utilizar palavras que, no mínimo, representavam uma ofensa aos judeus e uma comparação qualificada de inoportuna com o principal objectivo do ataque de Tucson, a congressista Gabrielle Giffords, ela própria uma judia.
“Libelo de sangue” foi a expressão usada historicamente para caracterizar a acusação que se fazia na Idade Média contra os judeus, de matarem crianças cristãs para usar o seu sangue nos rituais religiosos. É, e tem sido, um dos pretextos usados desde tempos ancestrais para justificar a perseguição e os pogroms contra os judeus.
“Os jornalistas e os analistas não deveriam fabricar um libelo de sangue para se referirem à acusação que só serve para incitar ao ódio e à violência que pretendem condenar”, afirma Sarah Palin. É precisamente a utilização desta frase que anulou qualquer esforço que Palin tivesse de se demarcar do episódio de Tucson.
Afirma que “atentados como os de sábado, começam e terminam com os criminosos que os cometem” e que se não pode atribuir “uma responsabilidade colectiva a todos os cidadãos de um Estado, aos que escutam programas de rádio, aos mapas que utilizam uns e outros e aos cidadãos que fazem uso da sua liberdade de expressão e aos que orgulhosamente votaram nas últimas eleições”.
Na origem das acusações a Palin estava a um mapa dos Estados Unidos, que Palin publicou na sua página web em que assinalava com um alvo, semelhante aos que se usam nas carreiras de tiro, os 20 distritos eleitorais, entre os quais o da congressista Giffords, nos quais apelava para uma reconquista pelos republicanos. Não pediu desculpas por esse gráfico, cujo título era “não se retirem, voltem ao ataque”, nem por nenhuma das inúmeras e graves declarações pronunciadas ao longo da sua carreira, muitas das quais foram inspiradas na linguagem bélica e acompanhadas de uma parafernália castrense.
Embora Palin duvide que o clima político atual esteja mais imbuído de ódio do que esteve no passado, confia, segundo diz no discurso publicado no facebook, que “saímos disto mais fortes e mais unidos no desejo de nos empenharmos pacificamente no grande debate do nosso tempo”.
Os líderes da forte e influente comunidade judaica condenaram quarta-feira a comparação feita por Sarah Palin. O Presidente do Conselho Nacional Democrático dos Judeus, David A. Harris, afirmou que “talvez Sarah Palin não saiba honestamente o que é um libelo de sangue, ou não saiba a sua horrenda história. Essa é talvez a explicação mais caridosa que se possa arranjar para explicar a sua retórica de hoje”.
O Presidente do Fundo Judeu para a Justiça, Simon Greer acusa por seu lado que “nos passados dois meses a senhora Palin e Gleen Beck, o mais conhecido média da Fox News, usaram e abusaram dos dois mais trágicos acontecimentos da história do povo judaico: o holocausto e o libelo de sangue”. ”Acresce que Roger Ailes, o líder do canal Fox News, referiu-se aos executivos em NPR como nazis. Talvez o popular canal da Fox News tenha uma tal mentalidade de vítima que se identifique com uma das mais perseguidas minorias da história da humanidade. Mas a comunidade judaica não aprecia essa identificação que só serve para denegrir a verdadeira dor que muitos judeus sofreram por causa da violência anti-semita”, continuou.
Greer não deixa de realçar que foi “a congressista Gifford a primeira a objectar contra o mapa mostrando o seu distrito como alvo das setas” publicado por Sarah Palin no seu facebook .
Quatro dias passados sobre a tragédia de Tucson e com uma cada vez maior convicção de que a congressista Grabielle Giffords poderá sair do coma e salvar-se, outros representantes da extrema-direita norte-americana comprometidos com o “Tea Party” entre os quais o comentador Gleen Beck, Rush Limbaugh e Karl Rove, acreditaram ser conveniente unir-se a Sarah Palin no propósito de limpar a sua imagem.
O seu esforço coincidiu com o de uma classe política mais tradicional na tentativa de acalmar o clima político e reduzir dos decibéis das suas mensagens.
Na Cãmara dos representantes, a votação prevista para hoje para afastar a reforma da saúde de Barack Obama – um dos momentos chave da nova maioria republicana – foi substituída por uma discussão de uma resolução de repulsa pelos acontecimentos de Tucson.
Aquela que poderia ter sido uma jornada parlamentar de enorme crispação converteu-se numa sessão de unidade. O texto submetido à votação defende “a firme crença na democracia em que todos possam participar e em que a intimidação e as ameaças de violência não possam silenciar a voz de nenhum norte-americano”.
No passado fim-de-semana, um homem matou a tiro seis pessoas, incluindo uma criança de nove anos, e deixou gravemente ferida a congressista democrata Gabrielle Giffords – tendo sido esta última o alvo do ataque – no Centro McKAle memorial, em Tucson. Gabrielle Giffords luta entre a vida e a morte, embora a cada dia que passe aumentem as esperanças de que possa salvar-se.
Sarah Palin publicou um video na sua página de Facebook com o propósito de explicar a sua posição e conseguir desvincular-se dos trágicos acontecimentos, mas ao usar “libelo de sangue” – frase que foi historicamente utilizada para justificar o antissemitismo - agudizou de imediato a polémica em torno das afirmações proferidas ao longo da sua carreira política, aprofundando o abismo que a separa dos seus críticos.
Mal carregou o seu vídeo na internet, uma intensa discussão teve início e durante horas mantiveram-se intensas conversas entre os internautas sobre as verdadeiras intenções da antiga número dois de John McCain na corrida à casa Branca ao utilizar palavras que, no mínimo, representavam uma ofensa aos judeus e uma comparação qualificada de inoportuna com o principal objectivo do ataque de Tucson, a congressista Gabrielle Giffords, ela própria uma judia.
“Libelo de sangue” foi a expressão usada historicamente para caracterizar a acusação que se fazia na Idade Média contra os judeus, de matarem crianças cristãs para usar o seu sangue nos rituais religiosos. É, e tem sido, um dos pretextos usados desde tempos ancestrais para justificar a perseguição e os pogroms contra os judeus.
“Os jornalistas e os analistas não deveriam fabricar um libelo de sangue para se referirem à acusação que só serve para incitar ao ódio e à violência que pretendem condenar”, afirma Sarah Palin. É precisamente a utilização desta frase que anulou qualquer esforço que Palin tivesse de se demarcar do episódio de Tucson.
Afirma que “atentados como os de sábado, começam e terminam com os criminosos que os cometem” e que se não pode atribuir “uma responsabilidade colectiva a todos os cidadãos de um Estado, aos que escutam programas de rádio, aos mapas que utilizam uns e outros e aos cidadãos que fazem uso da sua liberdade de expressão e aos que orgulhosamente votaram nas últimas eleições”.
Na origem das acusações a Palin estava a um mapa dos Estados Unidos, que Palin publicou na sua página web em que assinalava com um alvo, semelhante aos que se usam nas carreiras de tiro, os 20 distritos eleitorais, entre os quais o da congressista Giffords, nos quais apelava para uma reconquista pelos republicanos. Não pediu desculpas por esse gráfico, cujo título era “não se retirem, voltem ao ataque”, nem por nenhuma das inúmeras e graves declarações pronunciadas ao longo da sua carreira, muitas das quais foram inspiradas na linguagem bélica e acompanhadas de uma parafernália castrense.
Embora Palin duvide que o clima político atual esteja mais imbuído de ódio do que esteve no passado, confia, segundo diz no discurso publicado no facebook, que “saímos disto mais fortes e mais unidos no desejo de nos empenharmos pacificamente no grande debate do nosso tempo”.
Os líderes da forte e influente comunidade judaica condenaram quarta-feira a comparação feita por Sarah Palin. O Presidente do Conselho Nacional Democrático dos Judeus, David A. Harris, afirmou que “talvez Sarah Palin não saiba honestamente o que é um libelo de sangue, ou não saiba a sua horrenda história. Essa é talvez a explicação mais caridosa que se possa arranjar para explicar a sua retórica de hoje”.
O Presidente do Fundo Judeu para a Justiça, Simon Greer acusa por seu lado que “nos passados dois meses a senhora Palin e Gleen Beck, o mais conhecido média da Fox News, usaram e abusaram dos dois mais trágicos acontecimentos da história do povo judaico: o holocausto e o libelo de sangue”. ”Acresce que Roger Ailes, o líder do canal Fox News, referiu-se aos executivos em NPR como nazis. Talvez o popular canal da Fox News tenha uma tal mentalidade de vítima que se identifique com uma das mais perseguidas minorias da história da humanidade. Mas a comunidade judaica não aprecia essa identificação que só serve para denegrir a verdadeira dor que muitos judeus sofreram por causa da violência anti-semita”, continuou.
Greer não deixa de realçar que foi “a congressista Gifford a primeira a objectar contra o mapa mostrando o seu distrito como alvo das setas” publicado por Sarah Palin no seu facebook .
Quatro dias passados sobre a tragédia de Tucson e com uma cada vez maior convicção de que a congressista Grabielle Giffords poderá sair do coma e salvar-se, outros representantes da extrema-direita norte-americana comprometidos com o “Tea Party” entre os quais o comentador Gleen Beck, Rush Limbaugh e Karl Rove, acreditaram ser conveniente unir-se a Sarah Palin no propósito de limpar a sua imagem.
O seu esforço coincidiu com o de uma classe política mais tradicional na tentativa de acalmar o clima político e reduzir dos decibéis das suas mensagens.
Na Cãmara dos representantes, a votação prevista para hoje para afastar a reforma da saúde de Barack Obama – um dos momentos chave da nova maioria republicana – foi substituída por uma discussão de uma resolução de repulsa pelos acontecimentos de Tucson.
Aquela que poderia ter sido uma jornada parlamentar de enorme crispação converteu-se numa sessão de unidade. O texto submetido à votação defende “a firme crença na democracia em que todos possam participar e em que a intimidação e as ameaças de violência não possam silenciar a voz de nenhum norte-americano”.