Sarkozy quer unir direita, mas sem perder liberdade de pensar e debater

O novo presidente da União para um Movimento Popular (UMP) francesa, Nicolas Sarkozy, manifestou hoje o desejo de unir a direita, sem perder a liberdade de pensar e debater a política em França.

Agência LUSA /

"Quero continuar um homem livre (...) para pensar, para propor, para imaginar e para debater. Além disto, quero unir", afirmou, perante cerca de 40.000 militantes, reunidos em Congresso no parque de exposições de Bourget, perto de Paris.

Nicolas Sarkozy foi hoje oficialmente proclamado presidente da UMP, com 85 por cento dos 70.830 votos expressos, contra 9,1 por cento de Nicolas Dupont-Aignan e 5,8 por cento de Christine Boutin.

A participação dos 113.922 militantes do partido nas eleições ascendeu a 53,2 por cento, superando os 29 por cento que em 2002 se mobilizaram para escolher Alain Juppé, que entretanto anunciou o abandono da vida política por questões judiciais.

No seu discurso de tomada de posse, Nicolas Sarkozy prometeu agir com "firmeza e justiça" e defendeu um "voluntarismo republicano" na defesa do trabalho, do mérito, do esforço e da tolerância e no combate ao estatuto social (statu quo).

Entre as ideias que apresentou, mostrou-se a favor de um investimento na educação para combater o racismo e anti-semitismo e defendeu prioridades na assistência social aos deficientes ou aos desempregados com mais de 50 anos.

O ainda ministro das Finanças, que reafirmou hoje que irá apresentar a sua demissão na segunda-feira, recusou ainda a integração da Turquia na União Europeia, defendendo antes uma associação entre Bruxelas e aquele país.

"A nossa visão não é anglo-saxónica de uma vasta zona de livre comércio", frisou.

Sempre muito aplaudido, Sarkozy prometeu no final trabalhar "para fazer do quinquénio (duração do mandato) de Jacques Chirac um sucesso", e apoiar o governo de Jean-Pierre Raffarin, "porque ele nos escutará".

"No momento certo, apoiaremos nas eleições presidenciais de 2007 aquele que melhor souber nos unir. E quem que seja, terá o meu apoio leal e total", garantiu aquele que é considerado a mais forte alternativa da direita para substituir Jacques Chirac no Eliseu.

De seguida, Sarkozy leu uma mensagem do presidente Jacques Chirac - com quem não esconde manter relações difíceis -, onde este o felicita "calorosamente" e elogia a "vitalidade, a eficácia e o empenho".

O congresso da UMP, ao qual assistiram dezenas de embaixadores de diferentes países, entre os quais Portugal, foi concluído por um discurso do primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin, que apelou à unidade do partido.

"Sofremos demasiado com as divisões (...). Que este congresso possa agir por todos nós como uma vacina contra as divisões", lançou.

No entanto, não deixou de pedir "fidelidade a Jacques Chirac" e ao novo presidente da UMP, a quem reconheceu a "acção talentosa e criativa" nos Ministérios do Interior (Administração Interna) e Economia e Finanças.

Raffarin disse também esperar da UMP apoio ao seu governo, atribuindo ao partido o papel de "instrumento para preparar e ganhar as eleições".

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