Schroeder e Putin selam acordo para construção de gasoduto no Báltico
A Alemanha e a Rússia assinaram hoje, em Berlim, um acordo para a construção de uma conduta de gás natural, na presença do chanceler Gerhard Schroeder e do presidente Vladimir Putin.
Numa declaração conjunta, os dois homens sublinham «a necessidade de uma política energética coordenada, com o objectivo de garantir o abastecimento, de economizar e de preservar o meio ambiente».
A conduta, de 1220 quilómetros, estende-se de Vyborg, na costa russa do Mar Báltico, até perto de Greifswald, no nordeste da Alemanha, deverá estar pronta em 2010 e custará cerca de quatro mil milhões de euros.
O projecto será concretizado pelo consórcio russo Gasprom e pelos alemães da E.ON e da BASF.
Na mesma declaração, Schroeder e Putin congratulam-se com o facto de «empresas alemãs e russas terem decidido a levar a cabo a conduta de gás natural norte-europeia, que complementa e diversifica a rede actual de gás natural».
Berlim e Moscovo referem ainda que «o empenho comum no domínio da economia energética contribui para um entrosamento ainda maior entre a Rússia e os seus parceiros europeus».
Vectores da cooperação no sector energético são, segundo o comunicado germano-russo, o aumento da eficácia, o maior recurso às energias renováveis e a exploração de novas matérias-primas.
Com a nova conduta, a Alemanha passa a ter acesso directo às reservas de gás natural da Rússia.
Para a construção do gasoduto foi formada uma sociedade em que a Gasprom detém 51 por cento do capital e a E.ON e a BASF 24,5 por cento cada uma.
Em 2010, quando entrar em funcionamento, deverá atingir uma capacidade de transporte de 27,5 mil milhões de metros cúbicos de gás natural, a duplicar mais tarde, quando for atingida a laboração plena.
A construção do gasoduto, no entanto, tem sido controversa, sobretudo porque rodeia os territórios da Polónia, dos países Bálticos (Estónia, Letónia, Lituânia) e da Ucrânia, que não beneficiarão assim do fornecimento vindo do grande país vizinho.
Por isso, a deslocação de Putin a Berlim, a 10 dias das legislativas alemãs, além de constituir uma ajuda ao seu amigo Gerhard Schroeder na campanha eleitoral, serviu para apressar um negócio que, se os democratas-cristãos ganharem as eleições, poderá adquirir contornos diferentes.
De facto, a CDU/CSU e a sua candidata a chanceler, Angela Merkel, prometeram incluir mais os outros países de leste no abastecimento de gás natural russo.
A visita de Putin à capital alemã, para assinar os respectivos acordos, estava prevista apenas para Outubro, mas foi antecipada, provavelmente a pensar nas legislativas alemãs, para 18 de Setembro.
Além disso, o chanceler Schroeder tem sublinhado a necessidade de manter relações muito estreitas com Moscovo, mas a oposição conservadora exige que o governo se demarque da política autoritária da administração de Putin, sobretudo em relação à Tchetchénia e aos direitos humanos.
Putin recebeu hoje também, na Embaixada da Rússia em Berlim, a líder da CDU/CSU, Angela Merkel, ocasião para testar os conhecimentos de russo da candidata a chanceler, que durante o seu curso de Física na Alemanha de Leste chegou a estagiar na Rússia. Em entrevista ao segundo canal da televisão pública alemã, ZDF, o presidente russo, em bom Alemão, que aprendeu quando esteve na RDA, em Dresden, como agente do KGB, mostrou a sua simpatia por Schroeder, afirmando que aceita que o chanceler alemão faça críticas à sua política, «porque ele é um amigo com boas intenções».
FA.
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