Schwarzenegger nega clemência
O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, negou hoje o perdão a Stanley "Tookie" Williams, proposto para o Nobel da Paz em várias ocasiões e que será executado logo após a meia-noite (hora local).
"O governador recusou comutar-lhe a pena", declarou um responsável do serviço de imprensa do governador.
Williams, acusado de assassinar quatro pessoas há 24 anos, foi o fundador na sua adolescência do famoso "gang" de rua "Crips" de Los Angeles, mas nos últimos anos converteu-se num símbolo contra a pena de morte.
Williams será executado terça-feira às 00:01 (08:01 em Lisboa) por injecção de um produto letal, na penitenciária de San Quentin, perto de São Francisco.
"Os casos de indulto são sempre difíceis e este não constitui uma excepção. Depois de ter estudado as provas, feito investigações históricas, ouvido argumentos e encarado as consequências, não encontrei qualquer justificação para conceder um indulto", indicou Schwarzenegger num comunicado.
"Os factos não justificam ir contra um veredicto do júri ou a decisão dos tribunais neste caso", concluiu o governador republicano, pondo fim às esperanças dos partidários de Williams que haviam exortado o governador a poupar este antigo chefe de "gang" convertido em apóstolo da não-violência.
O caso "Tookie", fundador de um "gang" de rua em Los Angeles em 1971 e condenado à pena capital em 1981 pelo assassínio de quatro pessoas, é sensível em virtude da personalidade deste detido negro.
Stanley Williams, que sempre clamou a sua inocência, converteu- se na prisão num militante contra a violência, escreveu livros para crianças e foi mesmo proposto para o prémio Nobel da Paz.
Williams, 51 anos, recebeu o apoio desde há várias semanas de organizações de defesa dos direitos humanos como a Amnistia Internacional, de responsáveis religiosos como Jesse Jackson e de celebridades com o rapper Snoop Dogg, Bianca Jagger ou Jamie Foxx.
O tribunal federal de recurso de São Francisco pronunciou-se minutos antes de Schwarzenegger e também o fez negativamente, o que significa que, salvo uma inesperada intervenção de última hora dos tribunais, a sorte de William está traçada.
As primeiras reacções à decisão de Schwarzenegger não se fizeram esperar.
"Dói-me a decisão do Governador Schwarzenegger de escolher a vingança em vez da redenção", disse o activista Jesse Jackson, um dos mais activos a favor do condenado.
A execução de Williams por injecção letal, tal como estipulam as leis californianas, está prevista para um minuto depois da meia- noite local na penitenciária de San Quintin, na baía de São Francisco, onde passou a maior parte da sua vida.
às portas da prisão, perto de uma das zonas mais caras do país, já estão posicionadas as cadeias de televisão e os opositores à execução, entre eles os membros de uma igreja de Berkley que pretendem colocar no local dezenas de cruzes brancas.
Williams converter-se-á assim no duodécimo preso executado neste Estado desde 1992.
A pena de morte foi restabelecida pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos em 1976, depois de uma moratória de dez anos.
Desde então, 832 condenados foram mortos por injecção, 152 por electrocussão, 11 na câmara de gás, três por enforcamento e dois fuzilados.
A pena de morte é legal em 38 dos 50 Estados norte-americanos.