Scott Ritter acusa Hans Blix de co-responsabilidade por invasão do Iraque
O antigo inspector de desarmamento da ONU Hans Blix foi co-responsável pela invasão do Iraque, ao fornecer informações "insuficientes e incompletas", permitindo que os líderes norte-americano e britânico as manipulassem, declarou Scott Ritter.
O antigo inspector da missão de verificação do desarmamento da ONU no Iraque nos anos 1990 acusou, em entrevista à Antena 1, o diplomata sueco que lhe sucedeu de ter "facilitado as mentiras de (presidente norte-americano George W.) Bush e (do primeiro-ministro britânico Tony) Blair, pois era a pessoa que estava na posição única para alterar os factos, desmontar a fabricação" dos dois líderes.
"Para mim, (Blix) está a tentar fazer-se passar por um cruzado da verdade, quando realmente - e a história há-de prová-lo - não passa de um cobarde moral e intelectual", declarou Ritter.
Hans Blix disse, numa entrevista difundida segunda-feira, que Tony Blair substituiu "pontos de interrogação por pontos de exclamação" nos dossiês de justificação da invasão do Iraque em 2003.
Blix, que chefiou as buscas de armas de destruição maciça no Iraque até Junho de 2003, disse que um dossiê, mais tarde desacreditado, sobre os programas de armamento do Iraque, tinha sido deliberadamente manipulado para justificar a guerra.
Na entrevista de hoje à emissora portuguesa, Ritter garante que Blix contribuiu, nomeadamente, para reforçar a ideia norte-americana de que o Iraque ainda possuía antrax, apesar de "esse material já não ter viabilidade como agente biológico desde meados da década de 1990".
Ritter nota contudo que as acusações que faz a Blix não desculpabilizam George W. Bush e Tony Blair, considerando ser "por demais evidente que manipularam os serviços secretos para justificarem a invasão do Iraque".
Scott Ritter, um antigo marine, chefiou a missão de inspectores de desarmamento da ONU no Iraque desde a primeira guerra do Golfo e até 1998, um ano após ter sido acusado pelo regime de Saddam Hussein de espionagem a favor dos Estados Unidos.
Integra actualmente o movimento anti-guerra, contra a política da administração norte-americana no Iraque.