Secretário de Defesa dos EUA admite soldados em território iraniano se necessário
O secretário de Defesa dos Estados Unidos (EUA), Pete Hegseth, afirmou hoje que embora não existam soldados norte-americanos em território iraniano neste momento, Washington irá "tão longe quanto for necessário".
O líder do Pentágono (Departamento da Defesa) recusou-se a declarar abertamente o que os EUA estão "dispostos a fazer ou a não fazer" e quando questionado se soldados norte-americanos estavam destacados no Irão respondeu que isso era "uma estupidez".
Mas, ressalvou, que o Presidente norte-americano, Donald Trump, quer que os inimigos compreendam que os EUA irão "tão longe quanto necessário para defender os interesses americanos".
Na primeira conferência de imprensa desde o início dos bombardeamentos contra o território iraniano, em coordenação com Israel, Pete Hegseth disse que o objetivo dos ataques ao Irão não passa pela construção de uma democracia no país.
"Chega de regras de combate estúpidas, chega de lamaçais com o objetivo de construir uma nação, não é um exercício de construção da democracia", afirmou Hegseth.
Os ataques contra o Irão "não são uma guerra para mudar o regime, mas com certeza o regime mudou e o mundo está melhor por causa disso", sublinhou.
O secretário de Defesa dos EUA insistiu que a operação militar contra o Irão, não era igual ao que aconteceu no Iraque, nem será um conflito interminável, mas, pelo contrário, tem a missão "clara e devastadora" de destruir as capacidades de defesa de Teerão.
Na mesma conferência de imprensa, o chefe do Estado-Maior norte-americano, o general Dan Caine, afirmou que as operações militares contra o Irão estão em fase inicial e "levarão algum tempo" até atingirem os objetivos.
Reconheceu que as operações exigirão "muito trabalho" e poderão causar novas baixas entre as tropas.
"Esta não é uma operação de um dia. Levará algum tempo para atingir os objetivos do [Comando Central dos Estados Unidos] CENTCOM e da força conjunta que foram designados. Em alguns casos, exigirá um trabalho difícil e árduo. Esperamos sofrer novas baixas, mas, como sempre, trabalharemos para minimizá-las", afirmou.
Caine garantiu que a operação está "a escalar" após 57 horas contínuas de operações militares que, segundo frisou, fazem parte da "fase inicial" e exigirão o envio de novas tropas no futuro.
"Este destacamento inclui milhares de tropas de todos os ramos das Forças Armadas, centenas de caças avançados de quarta e quinta geração, dezenas de aviões de reabastecimento e as esquadras de ataque dos porta-aviões Ford e Lincoln e os seus componentes aéreos", detalhou Caine.
O chefe do Estado-Maior disse que o comandante do CENTCOM, almirante Brad Cooper, "receberá forças adicionais ainda hoje".
"Este rápido aumento de forças demonstra as nossas capacidades conjuntas para nos adaptarmos e projetarmos poder quando decidirmos", adiantou.
"Temos sido sistemáticos nos ataques aos iranianos: centro de comando e controlo, infraestruturas, forças navais, locais de mísseis balísticos e infraestruturas de informações", indicou Caine, que revelou que também estão a realizar ciberataques.
"O impacto combinado desses ataques --- rápidos, precisos e esmagadores --- resultou no estabelecimento de uma superioridade aérea local. Essa superioridade aérea não só reforçará a proteção das nossas forças, como também lhes permitirá continuar o seu trabalho sobre o Irão", disse o general.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Irão já confirmou a morte do `ayatollah` Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.