Secretário-geral da NATO evita pressionar Alemanha a enviar tropas para o sul do Afeganistão

O secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, afirmou, em Berlim, que seria "desleal" pressionar a Alemanha a enviar tropas para o sul do Afeganistão, onde sobretudo norte-americanos e ingleses combatem os guerrilheiros talibãs.

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Foi esta a forma que Hoop Scheffer, após uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier, encontrou de mostrar compreensão para as eventuais dificuldades do governo germânico em abordar este tema, antes do debate parlamentar marcado para meados de Outubro, para decidir a prorrogação dos três diferentes mandatos dos 3.500 soldados alemães estacionados no Afeganistão.

O debate no Bundestag adivinha-se controverso, porque mesmo no interior da coligação de governo chefiada por Angela Merkel há divergências entre sociais-democratas e democratas-cristãos quanto à manutenção do carácter das referidas missões, sobretudo no que se refere à participação de forças especiais alemãs na "Operation Enduring Freedom" (OEF, Operação Liberdade Duradoura), desencadeada pelos aliados norte-americanos para combater o terrorismo.

Os alemães apresentam-se também divididos em torno desta questão, segundo uma sondagem do Instituto Forsa publicada hoje no magazine Stern, em que 52 por cento dos inquiridos se pronunciaram pela retirada das tropas alemãs do Afeganistão, e só 43 por cento foram a favor da permanência.

Após um encontro em Berlim com o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, o secretário-geral da Aliança Atlântica sublinhou a importância do contributo militar e civil que o maior país da União Europeia tem dado à reconstrução do Afeganistão.

De Hoop Scheffer foi também recebido pela chanceler Angela Merkel, mas após este encontro não foram feitas declarações à imprensa.

O secretário-geral da NATO admitiu, no entanto, ser "naturalmente" do seu interesse que haja "tão poucas limitações e reservas quanto possível" dos países da Aliança no que se refere à missão que estão a desempenhar no Afeganistão.

De Hoop Scheffer disse ainda esperar que o Parlamento alemão aprove o prolongamento dos mandatos da missão da ISAF e da OEF, bem como o mandato para a missão dos aviões de reconhecimento Tornado da força aérea germânica, solicitados pela NATO para detectar as posições das forças dos talibãs no terreno e as transmitirem às tropas aliadas no sul do Afeganistão.

Scheffer considerou o Afeganistão uma "linha da frente na luta contra o terrorismo", anunciando que a NATO permanecerá neste país.

Steimmeier, por sua vez, reconheceu também que a missão das tropas da Aliança Atlântica no Afeganistão "lamentavelmente não está concluída", sublinhando que a Alemanha manterá "o maior peso" da sua presença militar na região Norte, e já presta ajuda de emergência no Sul.

O MNE alemão referiu também a importância que a acção das forças aliadas deverá ser cada vez mais orientada para a formação do Exército afegão.

A chanceler Angela Merkel informou os diversos grupos parlamentares do resultado da sua reunião com o secretário-geral da NATO, a pedido dos Liberais.

O maior partido da oposição exigiu o encontro dos deputados com a chefe do governo, alegando ser necessário esclarecer divergências entre o ministro da Defesa, Joseph Jung, que se declarou contra o envio de soldados para o sul do Afeganistão, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, que não excluiu categoricamente esta possibilidade.

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