Seiscentas pessoas manifestam-se contra hidroelétrica de Belo Monte nos estaleiros da obra

Brasília, 27 out (Lusa) -- O estaleiro de obras da central hidroelétrica de Belo Monte, no Estado do Pará, foi ocupado hoje por cerca de seiscentas pessoas, segundo o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), divulgou hoje a Agência Brasil.

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Segundo a agência de notícias, os manifestantes -- entre os quais indígenas, pescadores e habitantes das margens do rio Xingu - pedem o fim do projeto da hidroelétrica.

A assessoria do CIMI informou que a ocupação do local foi pacífica e que os manifestantes não encontraram resistência da polícia ou dos seguranças da hidroelétrica.

Segundo o CIMI, a ocupação foi motivada pelo adiamento do julgamento no Tribunal Regional Federal da 1ª Região sobre o direito dos indígenas de serem ouvidos antes do início das obras.

De acordo com o chefe da tribo caiapó, Megaron Txucarramãe, outros indígenas da aldeia de Gurupira, em Redenção, estão a caminho do local para aderir ao protesto do grupo.

Ainda de acordo com o CIMI, a Rodovia Transamazónica, a BR-230, a partir do trecho em frente ao estaleiro das obras, perto da Vila de Santo António, está interdita.

Apenas veículos de transporte de doentes passam no local.

O Brasil não compareceu a uma audiência convocada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), na quarta-feira, sobre os impactos sócio-ambientais da hidroelétrica de Belo Monte, que será construída no rio Xingu, no Pará.

O Governo brasileiro comunicou por carta, na última sexta-feira, que não iria comparecer no encontro porque o país já supervisiona as obras de forma adequada.

É a primeira vez que o Brasil falta a uma reunião de trabalho convocada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

A OEA decidiu convocar a reunião de trabalho, após denúncias de desrespeito pelos direitos dos povos indígenas, feitas por entidades como o Movimento Xingu Vivo para Sempre, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazónia Brasileira (COIAB), CIMI, Justiça Global, entre outros.

Em abril, a mesma Comissão emitiu um documento oficial no qual solicitava a "suspensão imediata" do processo de licenciamento da central de Belo Monte, no rio Xingu, localizado no estado do Pará, região norte do Brasil.

A organização pedia que fossem observadas as "exigências mínimas" para a execução do projeto, entre as quais uma nova consulta à comunidade indígena local, a tradução dos estudos de impacto ambiental para o idioma indígena e o total respeito pelos povos locais que vivem em situação de isolamento.

Na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil classificou o parecer do organismo internacional como "precipitado e injustificável" e afirmou que os aspetos sócio-ambientais das obras estavam a ser observados com o máximo rigor.

A CIDH receberá hoje representantes indígenas e de organizações não governamentais, que apresentarão acusações de abusos e queixas sobre a Hidroelétrica de Belo Monte.

Com uma capacidade instalada prevista de 11,2 mil megawatts, a Central Hidroelétrica de Belo Monte será a maior central brasileira e a terceira maior do mundo.

As primeiras obras no terreno começaram este ano, após a obtenção da licença parcial do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para início do estaleiro de obras.

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