Seita islâmica Hamadyia encoraja abolição de mutilação genital feminina
Bissau, 17 Mar (Lusa) - A seita islâmica Hamadyia encorajou a abolição da prática de mutilação genital feminina em debate na Assembleia Nacional da Guiné-Bissau, iniciativa já condenada pela liderança muçulmana do país.
Mustafa Sayonka chefe da Hamadyia na Guiné-Bissau, disse, no domingo, que a sua organização apoia a iniciativa do parlamento de abolir a prática da excisão, que tem sido motivo de uma acesa controvérsia entre líderes muçulmanos e organizações de defesa dos Direitos Humanos.
Segundo disse o chefe Sayonka, a excisão "não é uma prática recomendada pelo Islão" e o próprio profeta Maomé "nunca submeteu nenhuma das suas filhas à excisão".
"Não existe uma única passagem no Corão sobre a prática da excisão, pelo que temos a dizer que não é uma prática recomendada pelo Islão", disse Mustafa Sayonka, ao usar da palavra no encerramento da conferência anual da Hamadyia.
A conferência marca igualmente a reaparecimento da seita proscrita na Guiné-Bissau em 2002 pelo o então Presidente Kumba Ialá, após fortes pressões da comunidade muçulmana.
A Hamadyia é uma seita proscrita pelos muçulmanos ortodoxos tendo os seus membros sido perseguidos em vários países islâmicos do mundo.
Na Guiné-Bissau, a sua presença tem sido diminuta após os incidentes com membros da comunidade muçulmana ortodoxa entre 2001 e 2002, o que levou o então Presidente Kumba Ialá a intervir e ordenar a sua expulsão no país, mesmo contrariando uma decisão judicial que defendia a sua permanência à luz da laicidade e liberdade religiosa do Estado guineense.
Kumba Ialá ordenou a expulsão dos líderes da seita, cidadãos paquistaneses, e o encerramento dos locais de culto, alegando que a sua presença minava a estabilidade do país.
Após a deposição do regime de Ialá, em 2003, através de um golpe militar, a Procuradoria-Geral da República readmitiu a Hamadyia na Guiné-Bissau.
MB.
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