Mundo
Guerra no Médio Oriente
"Sejamos lúcidos". Secretário-geral da NATO admite que Irão tem misseis que podem atingir aliados
Todos os aliados atingiram, em 2025, a meta dos dois por cento de investimento em defesa, segundo o relatório anual da Aliança Atlântica. Nesta fase, porém, é a guerra no Médio Oriente o tema dominante em Bruxelas.
O secretário-geral da NATO apresentou esta quinta-feira o relatório anual da Aliança sobre investimentos em defesa. Mas na conferência de imprensa, em Bruxelas, a guerra no Irão foi o tema que mais questões levantou.
Questionado sobre se as forças iranianas podem atingir países no centro da Europa, Mark Rutte recordou que o Irão já atingiu com mísseis a base anglo-americana de Diego Garcia, no Oceano Índico, até agora considerada fora do alcance dos mísseis iranianos.
“Sejamos lúcidos e conscientes do facto de que Diego Garcia fica a quatro quilómetros do Irão. Portanto, se um míssil iraniano for capaz de atingir Diego Garcia, trata-se de um desenvolvimento relevante, pois significa que o Irão já possui capacidades que são perigosas para os aliados. Mas isso significa que são cada vez mais perigosos para os aliados. E podem fazer as contas: são quatro mil quilómetros”.Rutte diz que a Aliança está pronta para se defender, como já aconteceu por três vezes na Turquia.
“A boa notícia, claro, é que os aliados estão preparados. Podemos defender-nos. A NATO é uma aliança muito forte. E vocês viram isso na Turquia com os três mísseis apontados ao país”.
O secretário-geral da NATO deixou uma garantia: “Gostaria de dizer a todos os cidadãos em território da NATO que as nossas forças armadas estão empenhadas para garantir que temos o necessário para defender cada centímetro do território aliado”.
O relatório anual
Todos os aliados atingiram, o ano passado, a meta dos dois por cento de investimento em defesa e alguns até a ultrapassaram.O secretário-geral da Aliança diz que os progressos são notórios sobretudo por parte dos Estados-membros da Europa e do Canadá.
“Em 2025, pela primeira vez, todos os aliados cumpriram a meta acordada em 2014 de investir pelo menos dois por cento do seu PIB na defesa, e muitos foram muito mais além. De facto, assistimos a um aumento de 20 por cento nos gastos da Europa e do Canadá com a defesa em 2025, em comparação com 2024. Continuar esta tendência crucial será uma prioridade nos próximos anos”.
Mark Rutte recordou que, “durante demasiado tempo, os aliados europeus no Canadá dependeram excessivamente do poderio militar dos EUA”.
“Não assumimos a responsabilidade suficiente pela nossa própria segurança, mas houve uma verdadeira mudança de mentalidade, um reconhecimento coletivo do nosso ambiente de segurança transformado. E como europeu, tenho orgulho no que estamos a fazer. Do tremendo progresso que está a ser feito. Estamos a investir porque é crucial sermos capazes de enfrentar as ameaças que enfrentamos”.
Questionado sobre as constantes afirmações do presidente norte-americano sobre os aliados europeus, a quem já chamou cobardes, Mark Rutte preferiu não responder diretamente e elogiar Donald Trump.
“Os Estados Unidos, sob a Presidência de Trump, estão a realizar ações cruciais para a aliança. Garantiu que toda a Aliança atingisse a meta dos dois por cento. Não tenho a certeza se teríamos atingido este objetivo no final do ano passado sem o Presidente Trump. E depois, em Haia, acordámos a meta de despesas de 5%”.
E, concluiu: “Nem todos os europeus gostam que eu repita isto, mas é verdade: sem Trump, acho que isso não teria acontecido”.
O contributo de Portugal em 2025
Portugal atingiu, no ano passado, os dois por cento do PIB de investimentos em defesa.A Polónia foi o aliado que mais investiu – 4,30 por cento -, seguindo-se a Lituânia e a Letónia. Os Estados Unidos investiram 3,19 por cento do PIB norte-americano em defesa no âmbito da NATO.
No caso de Portugal, os investimentos foram sobretudo em pessoal (45,24 por cento do investimento total). O Governo português teve gastos de 21,23 por cento em equipamentos, 2,15 por cento em infraestruturas e 31,38 por cento noutras áreas de defesa.
Portugal organizou o exercício NATO - Dynamic Messenger 25, que foi concebido para testar e avaliar novas tecnologias em ambientes realistas. Em 2025, foi combinado com o exercício de Experimentação Robótica e Prototipagem com Sistemas Marítimos não Tripulados (REPMUS), criando uma plataforma abrangente para a inovação em operações marítimas. Envolveu cerca de 3.800 participantes e 260 sistemas não tripulados de 22 Aliados, com observadores de mais 13 países.
Este exercício decorreu em setembro, ao largo da costa de Portugal para testar e avaliar novas tecnologias e capacidades marítimas num cenário realista, reunindo também equipas operacionais, a indústria e a academia. Este exercício promoveu a integração de sistemas não tripulados no ambiente operacional e destacou o compromisso da NATO com a inovação e a integração de forças, mantendo, ao mesmo tempo, um elevado nível de prontidão no mar.
Portugal participou ainda, como aliado, em várias missões da NATO:
Questionado sobre se as forças iranianas podem atingir países no centro da Europa, Mark Rutte recordou que o Irão já atingiu com mísseis a base anglo-americana de Diego Garcia, no Oceano Índico, até agora considerada fora do alcance dos mísseis iranianos.
“Sejamos lúcidos e conscientes do facto de que Diego Garcia fica a quatro quilómetros do Irão. Portanto, se um míssil iraniano for capaz de atingir Diego Garcia, trata-se de um desenvolvimento relevante, pois significa que o Irão já possui capacidades que são perigosas para os aliados. Mas isso significa que são cada vez mais perigosos para os aliados. E podem fazer as contas: são quatro mil quilómetros”.Rutte diz que a Aliança está pronta para se defender, como já aconteceu por três vezes na Turquia.
“A boa notícia, claro, é que os aliados estão preparados. Podemos defender-nos. A NATO é uma aliança muito forte. E vocês viram isso na Turquia com os três mísseis apontados ao país”.
O secretário-geral da NATO deixou uma garantia: “Gostaria de dizer a todos os cidadãos em território da NATO que as nossas forças armadas estão empenhadas para garantir que temos o necessário para defender cada centímetro do território aliado”.
O relatório anual
Todos os aliados atingiram, o ano passado, a meta dos dois por cento de investimento em defesa e alguns até a ultrapassaram.O secretário-geral da Aliança diz que os progressos são notórios sobretudo por parte dos Estados-membros da Europa e do Canadá.
“Em 2025, pela primeira vez, todos os aliados cumpriram a meta acordada em 2014 de investir pelo menos dois por cento do seu PIB na defesa, e muitos foram muito mais além. De facto, assistimos a um aumento de 20 por cento nos gastos da Europa e do Canadá com a defesa em 2025, em comparação com 2024. Continuar esta tendência crucial será uma prioridade nos próximos anos”.
Mark Rutte recordou que, “durante demasiado tempo, os aliados europeus no Canadá dependeram excessivamente do poderio militar dos EUA”.
“Não assumimos a responsabilidade suficiente pela nossa própria segurança, mas houve uma verdadeira mudança de mentalidade, um reconhecimento coletivo do nosso ambiente de segurança transformado. E como europeu, tenho orgulho no que estamos a fazer. Do tremendo progresso que está a ser feito. Estamos a investir porque é crucial sermos capazes de enfrentar as ameaças que enfrentamos”.
Questionado sobre as constantes afirmações do presidente norte-americano sobre os aliados europeus, a quem já chamou cobardes, Mark Rutte preferiu não responder diretamente e elogiar Donald Trump.
“Os Estados Unidos, sob a Presidência de Trump, estão a realizar ações cruciais para a aliança. Garantiu que toda a Aliança atingisse a meta dos dois por cento. Não tenho a certeza se teríamos atingido este objetivo no final do ano passado sem o Presidente Trump. E depois, em Haia, acordámos a meta de despesas de 5%”.
E, concluiu: “Nem todos os europeus gostam que eu repita isto, mas é verdade: sem Trump, acho que isso não teria acontecido”.
O contributo de Portugal em 2025
Portugal atingiu, no ano passado, os dois por cento do PIB de investimentos em defesa.A Polónia foi o aliado que mais investiu – 4,30 por cento -, seguindo-se a Lituânia e a Letónia. Os Estados Unidos investiram 3,19 por cento do PIB norte-americano em defesa no âmbito da NATO.
No caso de Portugal, os investimentos foram sobretudo em pessoal (45,24 por cento do investimento total). O Governo português teve gastos de 21,23 por cento em equipamentos, 2,15 por cento em infraestruturas e 31,38 por cento noutras áreas de defesa.
Portugal organizou o exercício NATO - Dynamic Messenger 25, que foi concebido para testar e avaliar novas tecnologias em ambientes realistas. Em 2025, foi combinado com o exercício de Experimentação Robótica e Prototipagem com Sistemas Marítimos não Tripulados (REPMUS), criando uma plataforma abrangente para a inovação em operações marítimas. Envolveu cerca de 3.800 participantes e 260 sistemas não tripulados de 22 Aliados, com observadores de mais 13 países.
Este exercício decorreu em setembro, ao largo da costa de Portugal para testar e avaliar novas tecnologias e capacidades marítimas num cenário realista, reunindo também equipas operacionais, a indústria e a academia. Este exercício promoveu a integração de sistemas não tripulados no ambiente operacional e destacou o compromisso da NATO com a inovação e a integração de forças, mantendo, ao mesmo tempo, um elevado nível de prontidão no mar.
Portugal participou ainda, como aliado, em várias missões da NATO:
- Missão permanente de policiamento aéreo rotativo do flanco leste;
- Missão para proporcionar à Aliança uma presença naval contínua, no Mar Báltico;
- Missão de vigilância reforçada da NATO para aumentar a dissuasão e a defesa na Bulgária e na Roménia;
- Missão de aeronave de Patrulha Marítima com o objetivo de apoiar a postura de dissuasão e defesa através de atividades de vigilância; apoiar o conhecimento da situação marítima; e contribuir para a Inteligência, Vigilância e Reconhecimento Conjuntos ao longo das fronteiras orientais no Cabo Norte, Mar Báltico, Mar Negro, Mar Mediterrâneo e no Mar do Norte, Mar da Noruega e Oceano Atlântico;
- Operação Guardiões do Mar com a missão de garantir a segurança marítima em todo o Mar Mediterrâneo.