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Sem voar há 21 meses, avião Boeing 737 MAX fez aterragem de emergência. O que se passou?
Um avião Boeing 737-8 MAX da Air Canada, que fazia um voo de serviço com três tripulantes entre o Arizona, nos Estados Unidos, e Montreal, teve um problema no motor e viu-se obrigado a desviar a rota e aterrar de emergência, segundo informou a companhia aérea na sexta-feira. Já não é a primeira vez que há problemas relacionados com este avião que, entretanto, já sofreu modificações mas ainda não tem autorização para voos comerciais no Canadá.
O incidente ocorreu a 22 de dezembro e, segundo a Air Canada, pouco depois da descolagem de Marana, no Estado norte-americano do Arizona, os pilotos "receberam uma indicação do motor e, de acordo com os procedimentos operacionais padrão para a situação, tomaram a decisão de desligar um motor" e desviaram-se da rota prevista para aterrar de emergência e em segurança.
"O aparelho foi desviado para Tucson [também no Arizona], onde aterrou normalmente e ainda permanece", acrescentou a Air Canada, sem precisar a natureza do problema, que ocorreu num "voo de posicionamento" não comercial.
A tripulação recebeu uma indicação de baixa pressão hidráulica do motor esquerdo e, por isso, declarou emergência Pan-Pan - informação de emergência por falha mecânica - antes de desviar o voo, de acordo com o Guardian.
"As aeronaves modernas são projetadas para operar com um motor e as nossas tripulações treinam para estas operações", explica a companhia em comunicado.
O Governo canadiano anunciou a meio de dezembro que tinha validado as modificações feitas à conceção do Boeing 737 MAX, proibido de voar desde há 21 meses, depois de dois acidentes que custaram a vida a 346 pessoas.
O Governo canadiano anunciou a meio de dezembro que tinha validado as modificações feitas à conceção do Boeing 737 MAX, proibido de voar desde há 21 meses, depois de dois acidentes que custaram a vida a 346 pessoas.
O avião, comprado pelas companhias canadianas Air Canada, Westjet e Sunwing, ainda não recebeu a autorização de voltar aos voos comerciais no Canadá.
Agora a companhia e as aeronaves Boeing vão voltar a ser avaliadas. Contudo, os especialistas dizem que estas falhas no motor são comuns e que muitas vezes passam despercebidas.
Dois desastres em quatro mesesAgora a companhia e as aeronaves Boeing vão voltar a ser avaliadas. Contudo, os especialistas dizem que estas falhas no motor são comuns e que muitas vezes passam despercebidas.
Depois de dois acidentes graves com aviões Boeing 737 MAX, vários países suspenderam voos comerciais com estas aeronaves em 2019. Mas em novembro deste ano, os Estados Unidos autorizaram que estas aeronaves voltassem a voar, exigindo várias modificações nos aparelhos antes de entrarem ao serviço - a nível do software, sistema e motores - , de acordo com a Agência Federal de Aviação (FAA).
Mas há algum problema com este modelo de avião? Segundo os especialistas, os aviões não caem, são "abatidos". E quanto aos dois acidentes com aviões Boeing não foi diferente.
Num intervalo de quatro meses, duas aeronaves do modelo foram "abatidas" pelo sistema de segurança que servia para as proteger, matando 189 pessoas no mar da Indonésia e 157 na Etiópia, respetivamente em outubro de 2018 e março de 2019.
Poucos dias após a queda do segundo avião, todas as 387 aeronaves em operação em 59 países, ficaram proibidas de voar tornando-se a mais longa paralisação da história da aviação.
Num intervalo de quatro meses, duas aeronaves do modelo foram "abatidas" pelo sistema de segurança que servia para as proteger, matando 189 pessoas no mar da Indonésia e 157 na Etiópia, respetivamente em outubro de 2018 e março de 2019.
Poucos dias após a queda do segundo avião, todas as 387 aeronaves em operação em 59 países, ficaram proibidas de voar tornando-se a mais longa paralisação da história da aviação.
No primeiro acidente com o 737 Max da Lion Air, os pilotos perderam o controlo do avião por causa de um software chamado Mcas - o sistema impede que o aparelho aumente o ângulo ou suba mais -, acabando por não o conseguirem sustentar no ar e despenhar-se.
Segunda a Reuters, a operadora tinha indicios que levavam a crer que o software podia voltar a causar problemas, mas nem assim as aeronaves deixaram de operar. Foi preciso um segundo acidente, após quatro meses, causado pela mesma razão, para que os Boeing 737 MAX fossem suspensos de todos os voos.
Segunda a Reuters, a operadora tinha indicios que levavam a crer que o software podia voltar a causar problemas, mas nem assim as aeronaves deixaram de operar. Foi preciso um segundo acidente, após quatro meses, causado pela mesma razão, para que os Boeing 737 MAX fossem suspensos de todos os voos.
A suspensão foi longa e, até agora, só o Brasil e os EUA autorizaram a retoma dos voos com estas aeronaves. Na semana passada, a companhia brasileira Gol reiniciou o serviço num voo comercial que decorreu sem complicações entre São Paulo e Porto Alegre.
A Boeing é a maior exportadora industrial norte-americana, emprega cerca de 130.000 pessoas e contrata milhares de fornecedores. Já o 737, a voar desde 1968, é principal produto e ideal para viagens de curta e média distância.
O Boeing 737 MAX é, na verdade, o avião mais vendido de sempre.
O Boeing 737 MAX é, na verdade, o avião mais vendido de sempre.