Senado russo reconduz Vladimir Ustinov no cargo de Procurador-Geral
O Senado russo reconduziu hoje Vladimir Ustinov num segundo mandato como Procurador-Geral, cargo para o qual foi proposto pelo presidente russo, Vladimir Putin.
A candidatura de Ustinov obteve na votação do Conselho da Federação, a câmara alta do parlamento russo, 149 votos a favor, nenhum contra e uma abstenção.
Ustinov prestou juramento na sala do Senado, prometendo "respeitar a Constituição da Rússia e as suas leis" e "defender os direitos e as liberdades dos cidadãos".
A proposta feita por Ustinov, no ano passado, de tomar como "contra-reféns" familiares de terroristas para combater os sequestros, provocou um vendaval de críticas das organizações de defesa dos direitos humanos, acusando-o de politizar a justiça.
Ustinov, 52 anos, é o primeiro Procurador-Geral da Rússia moderna a conseguir terminar um mandato e mesmo a ser reconduzido no cargo.
"A razão da sua longevidade é fácil de explicar porque ao contrário dos seus predecessores, ele nunca lançou inquéritos que fossem contra a linha do poder. Pelo contrário, ele seguiu-a minuciosamente", comentava hoje o diário Vremia Novostei no artigo "Cinco anos de regime severo".
A nomeação do Procurador-Geral e dos seus adjuntos, de entre os candidatos apresentados pelo presidente, é uma das competências da câmara alta do parlamento russo.
O percurso profissional de Ustinov na Procuradoria-Geral começou em 1978, em 1997 foi nomeado Procurador-Geral adjunto, em Julho de 1999 passou a Procurador-Geral em exercício e, em Maio de 2000, assumiu o cargo de Procurador-Geral.
Ustinov teve um papel importante no caso do gigante petrolífero Iukos e nas acusações contra o principal proprietário do grupo, Mikhail Khodorkovski.
O representante do Kremlin no Senado, Alexandr Kotenkov, explicou que Putin apresentou a candidatura de Ustinov 30 dias antes do fim do seu mandato, tal como estipula a Constituição.