Senador do PT defende que Lula da Silva explique corrupção ao Congresso

O senador Eduardo Suplicy, eleito pelo Partido dos Trabalhadores do presidente brasileiro Lula da Silva, defendeu hoje que o chefe de Estado explique ao Congresso o escândalo de corrupção que envolve políticos do seu partido e do seu Governo.

Agência LUSA /

"Acho natural que o presidente faça um pronunciamento e explique as coisas como são. Já dei essa sugestão ao presidente, mas ele não achou uma boa sugestão", salientou o senador, um dos principais políticos do PT, que foi liderado por Luís Inácio Lula da Silva antes de se tornar presidente do Brasil.

A sugestão do senador ocorreu no mesmo dia em que uma nova revelação dos detalhes do esquema de corrupção do Governo de Lula da Silva foi feita por um ex-dirigente do PT.

O ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira revelou, em entrevista publicada domingo pelo jornal O Globo, que o partido planeava movimentar uma quantia equivalente 380 milhões de euros no "saco azul".

Sílvio Pereira, que recentemente deixou o PT pelo seu envolvimento no chamado escândalo do "mensalão", avançou que a angariação de verbas era feita por meio de esquemas ilegais com empresários que tinham negócios com o Governo.

O objectivo da movimentação dos recursos era para o pagamento de dívidas do próprio PT e de partidos aliados do presidente Lula da Silva, além de gastos nas campanhas autárquicas de 2004.

O ex-secretário-geral afirmou ao diário que decidiu revelar detalhes do esquema ilegal porque se considera abandonado pela actual direcção do PT.

A entrevista decorreu exactamente um ano após o início da crise política do Governo de Lula da Silva, em Maio de 2005, quando da revelação do "mensalão", como ficou conhecido o pagamento de uma quantia mensal a políticos em troca de apoio ao presidente no Parlamento.

Desde então, dezenas de ministros, dirigentes de empresas estatais e do PT foram afastados de funções na sequência de envolvimento com o "saco azul", de onde saíam os recursos para o pagamento do "mensalão".

A investigação da Procuradoria Geral da República classifica de "sofisticada organização criminosa" o esquema criado pelo PT e os seus aliados para reunir ilegalmente verbas.

O esquema foi igualmente investigado por duas comissões parlamentares de inquérito no Parlamento, que recolheu centenas de depoimentos dos envolvidos e também de testemunhas do escândalo.

Roberto Jefferson, autor das denúncias do "mensalão", o então ministro José Dirceu, considerado "o chefe da organização criminosa" e principal auxiliar de Lula da Silva, e o antigo líder do Partido Progressista (PP), Pedro Correia, já viram os seus mandatos de deputado serem anulados.

Outros quatro deputados (José Borba, Bispo Rodrigues, Paulo Rocha e Valdemar da Costa Neto) renunciaram antes da anulação dos mandatos e dez parlamentares foram absolvidos pelo Parlamento, apesar de terem recebido recursos do "saco azul" do PT.

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