Separatistas da Ossétia do Sul admitem referendo para unificação com a Rússia
O líder da Ossétia do Sul, um território pró-russo que proclamou a secessão da Geórgia, admitiu hoje a organização de uma consulta popular para a unificação com a Rússia.
"Será decerto necessário consultar o povo e permitir que o povo se exprima sobre a possibilidade de nos juntarmos à Federação da Rússia", declarou Anatoly Bibilov em declarações em direto a uma cadeia de televisão russa.
"Não é muito difícil fazê-lo sem demora. Como dizemos, é uma questão de técnica", prosseguiu, assegurando que a unificação territorial com a Rússia é um "sonho secular" do povo osseta.
A Ossétia do Sul e a Abkházia são duas regiões do Cáucaso do Sul que proclamaram a secessão da ex-república soviética da Geórgia. As suas independências foram reconhecidas em agosto de 2008 pela Rússia, após uma guerra-relâmpago entre Tbilissi e Moscovo.
Após este conflito, as forças russas estão estacionadas de forma permanente na Ossétia do Sul e na Abkházia.
Esta declaração surge na sequência da invasão da Ucrânia pelo exército russo, oficialmente para prestar auxílio a dois outros territórios separatistas russófonos, Lugansk e Donetsk, situados no leste da Ucrânia.
Na última semana, Anatoly Bibilov anunciou o envio para a Ucrânia de soldados da Ossétia do Sul para "ajudarem a proteger a Rússia".
No domingo, o chefe dos separatistas de Lugansk, Leonid Pasetchnik, anunciou a realização de um referendo "num futuro próximo", para que esta região se junte à Rússia.
O chefe dos separatistas de Donetsk, Denis Pushilin, também se tem pronunciado regularmente sobre uma eventual fusão com Moscovo.
A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.189 civis, incluindo 108 crianças, e feriu 1.901, entre os quais 142 crianças, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.
A guerra provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas, incluindo mais de 4 milhões de refugiados em países vizinhos e quase 6,5 milhões de deslocados internos.
A ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.