Sérvia e Rússia prometem combate a `revoluções coloridas` pró-democracia

A Sérvia e a Rússia comprometeram-se hoje em combater as revoltas populares designadas por `revoluções coloridas`, que responsáveis dos serviços de informações descrevem como instrumentos do ocidente para desestabilização, indicou uma nota do Ministério do Interior sérvio.

Lusa /

Num novo sinal sobre os crescentes laços entre a Sérvia e a Rússia, o ministro do Interior da Sérvia, Aleksandar Vulin, reuniu-se hoje em Moscovo com Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança do Kremlin.

"No encontro foi sublinhado que as `revoluções coloridas` se tornaram num instrumento político tradicional de determinados centros de poder e de países destinadas a minar o Estado e promover a perda de soberania sob o pretexto de democratização, e assinalado que os países livres devem resistir a isso", sublinhou o ministro do Interior da Sérvia.

O termo `revolução colorida` tem sido utilizado para descrever os protestos de massas no início do século XXI que em diversas ocasiões implicaram o derrube de regimes na antiga União Soviética, na ex-Jugoslávia, no Médio Oriente e na Ásia.

O encontro entre Patrushev e Vulin surge num momento de crescente contestação na Sérvia face ao Governo do Presidente Aleksandar Vucic, que os opositores acusam de deriva autocrática.

Diversos grupos de ecologistas têm vindo a contestar as opções do Governo no combate à poluição no país balcânico, e estão a surgir na linha da frente dos recentes protestos na Sérvia.

Vucic e outros responsáveis oficiais sérvios têm denunciado estes protestos e alegam que são financiados pelo ocidente para desestabilizar o país.

Para sábado está convocado um novo protesto contra duas leis aprovadas no parlamento e que podem permitir a concessão da exploração de uma mina de lítio no leste da Sérvia à empresa internacional Rio Tinto.

Os `media` independentes de Belgrado referiam hoje que a Rússia e a Sérvia estabeleceram "um grupo de trabalho para combater as revoluções coloridas".

O grupo terá como objetivo impedir as manifestações de massas e vigiar a atividade dos ativistas da oposição sérvios, organizações não governamentais (ONG) e jornalistas independentes, assegurou o portal digital pró-oposição Direktno.

No entanto, a informação que o Direktno divulgou não foi verificada de forma independente, assinalou a agência noticiosa Associated Press (AP).

Na sua declaração, Vulin prometeu que enquanto Vucic ocupar a presidência, o Governo sérvio "estará sempre focalizado na cooperação com a Federação Russa".

Apesar de manter negociações de adesão à União Europeia, a Sérvia tem recusado alinhar com a política externa dos 27 Estados-membros do bloco comunitário e tem reforçado os laços políticos, económicos e militares, com a Rússia e a China.

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