Setúbal pode produzir "5.000 toneladas de ostras por ano", diz produtor
Um produtor aquícola do estuário do Sado defendeu hoje que a região de Setúbal tem capacidade para produzir anualmente cerca de 5.000 toneladas de ostras de qualidade, desde que a administração pública permita a instalação de viveiros.
"O estuário do Sado tem possibilidades de ter cerca de 1.000 hectares de culturas marinhas, onde se poderá fazer a cultura de peixe e de ostras", disse Reinaldo Mendonça, que falava à Lusa antes de um "Colóquio-degustação sobre o renascimento das ostras de Setúbal", no Moinho de Maré da Mourisca.
A iniciativa foi promovida pelos produtores aquícolas da região, Câmara Municipal e associações locais, com o objectivo de dar a conhecer as potencialidades das ostras enquanto produto gastronómico de alta qualidade e com boas perspectivas de exportação para França.
Os produtores aquícolas do estuário do Sado lamentam, no entanto, as dificuldades com que se têm deparado para a instalação de novos viveiros, por parte da administração pública.
"A administração pública tem criado grandes dificuldades à introdução das culturas marinhas do estuário do Sado, alegando que iriam estragar a qualidade da água, o que é desmentido por análises efectuadas pela Universidade Nova de Lisboa e pelos indicadores biológicos de que dispomos", disse Reinaldo Mendonça.
"O melhor indicador biológico é a qualidade da ostra e da casca [mais fina nos viveiros], porque a única forma que as ostras têm de fazer face a um meio mais agressivo é criar mais casca", frisou o produtor aquícola.
O colóquio-degustação pretende também demonstrar que o investimento na cultura de ostras é uma mais-valia para o concelho em termos económicos e turísticos e que permite recuperar a boa reputação das ostras de Setúbal em mercados estrangeiros, designadamente no mercado francês.
"A França absorve toda a produção" assegurou Reinaldo Mendonça, frisando, no entanto, que os "franceses só estão interessados nas ostras produzidas em viveiros, porque têm melhor qualidade".
"Infelizmente, as ostras criadas em ambiente natural não têm aceitação porque o estuário do Sado, embora não seja um caso irrecuperável, ainda tem graves problemas de poluição", justificou.
Embora ressalve que não tem certezas sobre a poluição no estuário do Sado, Reinaldo Mendonça acredita que se trata de "grenalha de zinco utilizada na decapagem dos barcos, que se dissolve na água", e no "cobre das minas [desactivadas] do Torrão, que é arrastado para o leito do rio quando ocorrem grandes chuvadas".