Seul mantém "apertada vigilância" sobre Coreia do Norte após ameaça de anular armistício
Seul, 06 mar (Lusa) -- A Coreia do Sul mantém uma "apertada vigilância" sobre a Coreia do Norte, depois de o país vizinho ter ameaçado, esta terça-feira, anular o armistício, que colocou fim à Guerra da Coreia (1950-53), informou o Ministério da Defesa sul-coreano.
"Estamos a levar a cabo uma apertada vigilância dos movimentos da Coreia do Norte", afirmou o porta-voz, em declarações à agência Efe, enquanto se aguarda que Seul emita um comunicado oficial em resposta ao último desafio `retórico` lançado por Pyongyang.
O Exército Popular da Coreia do Norte ameaçou, esta terça-feira, declarar "nulo" o acordo de cessar-fogo, citando como motivo as iniciativas lideradas pelos Estados Unidos, com vista à imposição de sanções adicionais pela ONU ao regime norte-coreano devido ao recente ensaio nuclear.
Pyongyang ameaçou também cortar os laços com o Sul na aldeia de Panmunjom, situada na zona fronteiriça entre os dois países, usada para encontros entre as duas partes.
O armistício, que seis décadas depois nunca foi substituído por um tratado de paz definitiva, faz com que ambas as Coreias se encontrem tecnicamente em guerra.
Kim Yong-chol, general norte-coreano de linha dura, suspeito de ter participado em anteriores ataques ao Sul, leu o comunicado para a televisão estatal, o qual tinha sido previamente divulgado pela agência oficial KCNA.
O facto de um alto oficial do Exército norte-coreano ter aparecido publicamente para lançar a nova ameaça gerou receios em Seul, segundo a imprensa e especialistas locais, relativamente à possibilidade de Pyongyang realizar nova "provocação" militar.
Três semanas depois de a Coreia do Norte ter levado a cabo o seu terceiro ensaio nuclear, a tensão voltou a agravar-se, na sequência de um acordo entre os EUA e a China quanto a um projeto de resolução que poderá resultar na aplicação de novas sanções ao regime norte-coreano pela ONU em breve.
Além disso, a Coreia do Sul e os Estados Unidos levam a cabo, desde sexta-feira, o seu exercício militar conjunto anual e no domingo dão início a um outro, apesar das fortes críticas da Coreia do Norte que considera as manobras dos aliados uma ameaça à sua segurança.
Os EUA mantêm 28.500 efetivos na Coreia do Sul e comprometem-se a defender o seu aliado no caso de um eventual ataque norte-coreano.