Mundo
Seul promete "resposta forte" em caso de ataque da Coreia do Norte
Uma eventual ofensiva norte-coreana terá “resposta forte” e “sem quaisquer considerações políticas” por parte de Seul. Foi com estas palavras que a Presidente da Coreia do Sul verteu esta segunda-feira mais combustível para a retórica marcial que inflama há largas semanas a Península Coreana. Durante uma reunião com responsáveis do Ministério da Defesa, Park Geun-hye sublinhou estar em causa “a proteção do país e do povo”. Entretanto, em novo gesto de apoio aos aliados sul-coreanos e de aviso ao Norte, o Pentágono destacou um par de caças furtivos F-22 Raptor para os exercícios militares conjuntos em curso na região.
Porque “a razão de ser das Forças Armadas é a proteção do país e do povo” contra “ameaças”, as estruturas militares da Coreia do Sul devem estar preparadas para retaliar “com força”, caso as sucessivas declarações belicistas do Norte passem à prática. O aviso parte da Presidente sul-coreana.
Coreia do Norte e Coreia do Sul estão tecnicamente em conflito desde a guerra de 1950-1953, que terminou com um armistício.
O mais recente capítulo de diatribes e ameaças começou a escrever-se em dezembro de 2012, após o lançamento de um foguetão norte-coreano. Pyongyang inscreveu este gesto no que garante ser um programa espacial. Washington e Seul encararam-no como o disparo de um míssil balístico.
O regime procederia, posteriormente, ao seu terceiro ensaio nuclear, abrindo caminho à aprovação, em março, de mais um pacote de sanções com o cunho da ONU.
Ao fim de um mês em funções, a primeira mulher a ocupar a Presidência da Coreia do Sul vê-se confrontada com uma das mais agudas escaladas de tensão do pós-guerra na Península Coreana.
A cada dia que passa o discurso de Seul assemelha-se um pouco mais à tradicional retórica belicista do regime de matriz estalinista que governa com pulso de ferro os vizinhos do Norte.
“Se houver qualquer provocação contra a Coreia do Sul e o seu povo, devemos responder com força em combate inicial sem quaisquer considerações políticas”, advertiu Park Geun-hye no decurso de uma reunião com o ministro sul-coreano da Defesa, Kim Kwan-jin, e outros responsáveis pelas forças militares do país.
Foram múltiplas as ameaças emanadas de Pyongyang ao longo das últimas semanas. As mais recentes surgiram durante o fim de semana. No sábado, o regime declarava-se em “estado de guerra” com o Sul. Vinte e quatro horas depois, numa rara reunião de alto nível, o Comité Central norte-coreano, encabeçado pelo líder Kim Jong-un, descrevia o desenvolvimento de armas nucleares como “a vida da nação”.
“Só quando o escudo nuclear de autodefesa estiver em ação será possível estilhaçar a ambição dos imperialistas dos Estados Unidos para anexar pela força a Península Coreana”, proclamava ontem a cúpula do regime, segundo um despacho da agência oficial KCNA.
Estados Unidos expõem armamento
Com alguma reserva no discurso, também a Administração norte-americana tem alimentado a tensão na Península. Mesmo que tempere as suas respostas às ameaças norte-coreanas com a constatação de que a aspereza de registo do regime está longe de ser inédita, Washington não tem deixado de fletir o músculo militar – só na Coreia do Sul o poderio regional dos Estados Unidos traduz-se atualmente num contingente de quase 30 mil operacionais.
Depois de ter confirmado, há uma semana, a realização de voos de treino com aviões B-52 e B-2 sobre o território sul-coreano, o Pentágono anunciou ter destacado mais dois caças furtivos F-22 Raptor para a região. Estes aviões, que estariam estacionados na base norte-americana de Okinawa, no Japão, vão integrar os exercícios anuais Foal Eagle, que juntam forças dos Estados Unidos e da Coreia do Sul; as manobras devem prolongar-se até 30 de abril.
Ao anúncio de que haveria fortalezas voadoras e bombardeiros furtivos capazes de transportar armamento nuclear nos céus da Península Coreana, Pyongyang reagiu com a ameaça de ataques contra alvos norte-americanos em Guam e no Hawai. Antes havia já dado como nulos o armistício e todos os tratados bilaterais de paz assinados com Seul e interrompido o denominado “telefone vermelho”, linha direta de comunicação entre as lideranças dos dois países. Tudo isto como represália contra os exercícios conjuntos.
Para esta segunda-feira está prevista a sessão plenária anual da Assembleia Suprema do Povo, o órgão que efetiva as grandes decisões do partido que governa a Coreia do Norte. A generalidade dos analistas espera que a reunião sirva para novas declarações de apelo à prontidão para uma guerra que, por agora, não extravasa as fronteiras verbais. Mas para a qual todos os atores da região se dizem preparados.
Coreia do Norte e Coreia do Sul estão tecnicamente em conflito desde a guerra de 1950-1953, que terminou com um armistício.
O mais recente capítulo de diatribes e ameaças começou a escrever-se em dezembro de 2012, após o lançamento de um foguetão norte-coreano. Pyongyang inscreveu este gesto no que garante ser um programa espacial. Washington e Seul encararam-no como o disparo de um míssil balístico.
O regime procederia, posteriormente, ao seu terceiro ensaio nuclear, abrindo caminho à aprovação, em março, de mais um pacote de sanções com o cunho da ONU.
Ao fim de um mês em funções, a primeira mulher a ocupar a Presidência da Coreia do Sul vê-se confrontada com uma das mais agudas escaladas de tensão do pós-guerra na Península Coreana.
A cada dia que passa o discurso de Seul assemelha-se um pouco mais à tradicional retórica belicista do regime de matriz estalinista que governa com pulso de ferro os vizinhos do Norte.
“Se houver qualquer provocação contra a Coreia do Sul e o seu povo, devemos responder com força em combate inicial sem quaisquer considerações políticas”, advertiu Park Geun-hye no decurso de uma reunião com o ministro sul-coreano da Defesa, Kim Kwan-jin, e outros responsáveis pelas forças militares do país.
Foram múltiplas as ameaças emanadas de Pyongyang ao longo das últimas semanas. As mais recentes surgiram durante o fim de semana. No sábado, o regime declarava-se em “estado de guerra” com o Sul. Vinte e quatro horas depois, numa rara reunião de alto nível, o Comité Central norte-coreano, encabeçado pelo líder Kim Jong-un, descrevia o desenvolvimento de armas nucleares como “a vida da nação”.
“Só quando o escudo nuclear de autodefesa estiver em ação será possível estilhaçar a ambição dos imperialistas dos Estados Unidos para anexar pela força a Península Coreana”, proclamava ontem a cúpula do regime, segundo um despacho da agência oficial KCNA.
Estados Unidos expõem armamento
Com alguma reserva no discurso, também a Administração norte-americana tem alimentado a tensão na Península. Mesmo que tempere as suas respostas às ameaças norte-coreanas com a constatação de que a aspereza de registo do regime está longe de ser inédita, Washington não tem deixado de fletir o músculo militar – só na Coreia do Sul o poderio regional dos Estados Unidos traduz-se atualmente num contingente de quase 30 mil operacionais.
Depois de ter confirmado, há uma semana, a realização de voos de treino com aviões B-52 e B-2 sobre o território sul-coreano, o Pentágono anunciou ter destacado mais dois caças furtivos F-22 Raptor para a região. Estes aviões, que estariam estacionados na base norte-americana de Okinawa, no Japão, vão integrar os exercícios anuais Foal Eagle, que juntam forças dos Estados Unidos e da Coreia do Sul; as manobras devem prolongar-se até 30 de abril.
Ao anúncio de que haveria fortalezas voadoras e bombardeiros furtivos capazes de transportar armamento nuclear nos céus da Península Coreana, Pyongyang reagiu com a ameaça de ataques contra alvos norte-americanos em Guam e no Hawai. Antes havia já dado como nulos o armistício e todos os tratados bilaterais de paz assinados com Seul e interrompido o denominado “telefone vermelho”, linha direta de comunicação entre as lideranças dos dois países. Tudo isto como represália contra os exercícios conjuntos.
Para esta segunda-feira está prevista a sessão plenária anual da Assembleia Suprema do Povo, o órgão que efetiva as grandes decisões do partido que governa a Coreia do Norte. A generalidade dos analistas espera que a reunião sirva para novas declarações de apelo à prontidão para uma guerra que, por agora, não extravasa as fronteiras verbais. Mas para a qual todos os atores da região se dizem preparados.