Sharon chama "delinquentes" a militantes de extrema-direita
O primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, deu ordens estritas aos militares para usar da força para impedir os militantes de extrema-direita, a quem chamou "delinquentes", de dificultarem a evacuação dos colonatos da Faixa de Gaza.
Sharon afirmou, durante uma reunião do gabinete de segurança, que "a polícia e os serviços de segurança receberam ordens para utilizar todos os meios para evitar que as estradas sejam bloqueadas." "Não permitiremos que delinquentes minem os alicerces do país. Devemos agir contra eles com mão de ferro", referiu o primeiro-ministro israelita, reclamando "sanções contra os rabinos que enviam crianças a bloquear os cruzamentos".
Os militares israelitas chegaram a usar tiros de intimidação para evacuar os manifestantes que tinham ocupado casas abandonadas de um colonato de Gaza, prendendo oito deles que ocupavam uma residência palestiniana desde há dois dias.
Os agitadores de extrema-direita construíram barricadas, colocaram óleo e pregos na estrada Telavive-Jerusalém, contaminaram terrenos de cultivo, tudo para protestar contra a evacuação total dos colonatos da Faixa de Gaza.
Durante os últimos dias aumentou a tensão entre os palestinianos que vivem no enclave de Mawassi, dentro do colonato de Gush Katif na Faixa de Gaza, e os colonos judeus. Um palestiniano foi mesmo severamente agredido. De acordo com fontes militares, tropas foram enviadas para controlar os incidentes.
Mais de uma dezena de jovens entraram em confronto com os soldados e polícias que tentavam evacuar dois edifícios ocupados no colonato de Gush Katif.
Embora o exército tenha destruído uma dezena das antigas casernas do que era um quartel-egípcio antes de 1967, os ultra- ortodoxos estão determinados a pôr em causa a retirada, resistindo ao prosseguimento da demolição.
O ministro de Assuntos Civis palestiniano, Mohamed Dahlan, acusou hoje os colonos israelitas de estarem a contaminar os terrenos de cultivo na Faixa de Gaza antes da sua retirada.
"Temos informações concretas de que colonos israelitas contaminam os terrenos de cultivo para os danificar e evitar que sejam utilizados no futuro pelos palestinianos", disse Dahlan.
O plano de evacuação de mais de oito mil colonos instalados na Faixa de Gaza e em quatro pequenos colonatos na Cisjordânia, com início marcado para meados de Agosto, tem-se tornado cada vez mais impopular.
Segundo uma sondagem encomendada pelos opositores ao plano, divulgada pela rádio militar, o apoio à retirada entre a população judia desceu para 48 por cento, enquanto os contrários ascendem a 41 por cento.
O comissário Koby Cohen, chefe de operações da polícia, declarou à rádio pública que vários milhares de polícias foram distribuídos por todo o país, "para assegurar a livre circulação de viaturas".
Helicópteros, em ligação permanente a um quartel-general especial da polícia, vigiam a circulação, ao mesmo tempo que dezenas de ambulâncias foram mobilizadas para responder a qualquer eventualidade, disse a rádio pública.
O conselheiro jurídico do Governo israelita, Menahem Mazuz, explicou hoje que as autoridades têm vindo a endurecer a sua política em relação aos "provocadores de distúrbios".
Mais de 800 activistas foram detidos nas últimas semanas e 45 deles permanecem ainda na prisão. Mais de três centenas de acusações foram pronunciadas.