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Signatário do Memorando de Entendimento do Luena faz balanço "muito positivo" dos dez anos de paz em Angola

Signatário do Memorando de Entendimento do Luena faz balanço "muito positivo" dos dez anos de paz em Angola

Luanda, 05 abr (Lusa) - O general Abreu Muengo Ukwachitembo "Kamorteiro", que conduziu do lado da UNITA os acordos de paz de 4 de Abril, no Luena, capital da província do Moxico, faz um balanço "muito positivo" dez anos depois.

Lusa /

Angola comemorou na quarta-feira dez anos desde o fim da guerra, em 2002, que durante mais de três décadas deixou desavindos os angolanos, opostos por duas forças militares, especificamente a UNITA e o Governo.

A morte em combate do líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, determinou o fim das hostilidades no país, permitindo a assinatura do Memorando de Entendimento do Luena, complementar ao Protocolo de Lusaca, de 1994.

Abreu Ukwachitembo "Kamorteiro", um dos subscritores do Memorando, era por altura da morte de Jonas Savimbi, o Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA) da UNITA e actualmente é Chefe de Estado-Maior adjunto das Forças Armadas Angolanas (FAA) para Logística e Infraestruturas.

Para o general "Kamorteiro", "um barómetro de crescimento e desenvolvimento de Angola" nestes dez anos de paz é a "desenfreada imigração" que o país regista deste o fim da guerra.

"Como se de uma corrida ao ouro se tratasse. Num único dia são, por exemplo, repatriados 300 (ilegais), enquanto outros 300 furam por outros cantos e vêm de todos os cantos da África", disse o alto oficial das FAA.

O general regozijou-se ainda com o desenvolvimento que Angola alcançou em dez anos, ironizando que "mesmo um cego" pode constatar que o país "é um pólo importante de investimento estrangeiro".

Quanto à reintegração socioeconómica dos ex-militares, uma das reclamações que a UNITA tem apresentado até hoje, acusando o Governo de falta de vontade política para o efeito, o oficial disse que foi realizada a 02 de Agosto de 2002, em conformidade com as percentagens previstas no Memorando de Entendimento.

O Memorando de Entendimento do Luena previa a incorporação de menos de 20 mil militares.

Uma Comissão Militar Mista foi constituída para proceder ao aquartelamento e desmilitarização de todas as unidades militares e estruturas paramilitares das ex-Forças Militares da UNITA.

A 02 de Agosto de 2002, a então Comissão Militar Mista registou todos os militares aquartelados e desmobilizou os mesmos e desde 2003 que muitos dos militares com idades avançadas e doentes retirados em 2001 sobretudo para a Zâmbia, e da República Democrática do Congo, têm regressado ao país.

De acordo com o Chefe de Estado-Maior adjunto das FAA, o regresso não tem sido simultâneo, nem combinado, mas tem ocorrido o seu registo, em cumprimento dos procedimentos normais.

"Houve todo o cuidado de não se pôr termo precipitadamente à tal processo, pois temia-se que podia aparecer mais gente após declarado o fim", disse Abreu kwachitembo "Kamorteiro", acrescentando que o processo está na sua fase final.

Aquele oficial lembrou que a paz "não é um simples evento, mas sim um processo, pelo que todos os passos a dar exigem muita cautela para não precipitar nada, pois o pior seria declarar-se o fim da desmobilização e aparecerem outros".

Segundo o general, para os desmobilizados, em 2002-2003, a pensão começou pelos oficiais generais, depois os coronéis e, desde 2010, os tenentes, conforme a hierarquia militar.

Para um processo de paz, segundo o general "Kamorteiro", que se pretende definitivo "não pode haver fórmulas simplista, mas sim cautela e firmeza, sem precipitações".

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