Sinal amarelo de Orbán. Adesão da Ucrânia à UE em cima da mesa do Conselho Europeu

Os líderes do 27 Estados-membros da União Europeia reúnem-se esta quinta-feira em Bruxelas. Um encontro que será marcado pela eventual abertura de negociações formais com a Ucrânia relativamente a um futuro alargamento. Budapeste já afirmou que a adesão rápida de Kiev não serve os interesses da Hungria nem da UE.

Cristina Sambado - RTP /
Yves Herman - Reuters

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, já afirmou que o seu país vai manter a posição contra uma adesão rápida da Ucrânia à União Europeia e defende mesmo que a questão seja retirada da agenda do Conselho Europeu.

A União Europeia está a preparar-se para cometer um erro terrível e temos de o evitar, mesmo que 26 Estados-membros queiram cometer o erro”, afirmou Orbán numa entrevista ao canal Mandiner transmitida esta quarta-feira.

O primeiro-ministro húngaro defende que, se a União Europeia quiser dar “apoio à Ucrânia, um sinal estratégico, devemos fazê-lo, mas isso não implica que se torne um Estado-membro”.

Esta não é a primeira vez que a Hungria está em desacordo com os parceiros europeus. Em dezembro de 2022, Budapeste abrandou as sanções contra Moscovo e vetou um acordo para conceder a Kiev 18 mil milhões de euros no decorrer do ano.Na esperança de levantar o bloqueio húngaro, espera-se que a Comissão Europeia decida esta quarta-feira libertar cerca de 10 mil milhões de fundos da União Europeia para a Hungria. Uma decisão que provocou fortes reações no Parlamento Europeu, onde alguns eurodeputados estão preocupados com a perspetiva de Bruxelas "ceder à chantagem" do líder nacionalista.

No Parlamento húngaro, Viktor Orbán frisou ainda que “uma adesão rápida da Ucrânia à União Europeia não serve os interesses da Hungria nem da União Europeia”.

"Considerando os números, as análises económicas e tendo em conta que as conversações [com a Ucrânia] teriam como objetivo conceder a adesão - por isso não estaríamos a usá-la como um gesto político, uma vez que a adesão não é para esse fim -, então devemos dizer que este pensamento neste momento é absurdo, ridículo e não sério", acrescentou Orbán no discurso.

Para o primeiro-ministro húngaro, “a Ucrânia está muito longe de cumprir condições necessárias para aderir à União Europeia”.
Von der Leyen pede apoio à Ucrânia “pelo tempo que for necessário”
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apelou esta quarta-feira para que o bloco apoie a Ucrânia pelo tempo que for necessário.

"Enquanto a guerra se arrasta, temos de provar o que significa apoiar a Ucrânia durante o tempo que for necessário", afirmou Ursula von der Leyen no Parlamento Europeu, antes da cimeira.A negociação para a eventual adesão da Ucrânia à União Europeia estava pendente de quatro condições pré-estabelecidas, segundo a presidente da Comissão Europeia as leis que Kiev aprovou - incluindo sobre as minorias nacionais, uma questão levantada pela Hungria - permitiram cumprir três das tarefas pendentes, o que significa que só falta uma: uma nova lei sobre lobbying para controlar os oligarcas.

“Temos de dar à Ucrânia o que ela precisa para ser forte hoje, para que seja mais forte amanhã, quando se tratar de negociar uma paz justa e duradoura", sublinhou.

O Parlamento Europeu está a lutar contra os invasores e a Ucrânia está a lutar contra a invasão. A Ucrânia não está apenas a lutar contra o invasor, mas também pela Europa. Juntar-se à nossa família será a derradeira vitória da Ucrânia", defendeu von der Leyen, acrescentando que "para isso, temos um papel decisivo a desempenhar".

A presidente da Comissão Europeia defendeu ainda que a Europa “quer garantir à Ucrânia um financiamento estável e substancial durante os próximos quatro anos, o que dará confiança aos investidores e esperança aos combatentes ucranianos"

Em Estrasburgo, Ursula von der Leyen afirmou ainda que o falhanço da Rússia não se traduz automaticamente na vitória da Ucrânia.

“O fracasso de Putin não traduz automaticamente uma vitória para a Ucrânia. Com o arrastar da guerra, temos que provar o que significa apoiar a Ucrânia pelo tempo que for necessário”, afirmou na sua intervenção no Parlamento Europeu, na preparação do próximo Conselho Europeu.

Von der Leyen recordou como há exatamente dois anos, numa sessão plenária em Estrasburgo, se discutiu, pela primeira vez, a invasão da Rússia à Ucrânia, mas que “apesar da dor” também se deve lembrar “a luz que brilhou nesses dias escuros” ou a “alegria dos que foram libertados da ocupação russa” e a solidariedade de um continente que foi demonstrada.

Para a presidente da Comissão Europeia, a resistência ucraniana foi uma realidade designadamente porque a população europeia “abriu os seus corações e as suas casas”, somando-se o apoio financeiro dos Estados-membros e do Parlamento.

“Empoderamos a resistência Ucrânia e deixámos a esperança viva”, garantiu Von der Leyen, lembrando, que, ao contrário das expectativas, Kiev não cedeu à invasão nos dias seguintes e ganhou lutou e somou avanços na guerra por terra, água e ar.Esta resistência também teve consequências fora do campo de batalha, com a Finlândia a tornar-se membro da Nato, enquanto a Suécia está prestes a fazê-lo e a Ucrânia está a caminho da União Europeia.

O Kremlin afastou-se a si próprio das economias ocidentais e dos sistemas de inovação, tornando-se dependente da China. Putin não está apenas a falhar os objetivos estratégicos, está a impor um custo dramático ao seu próprio país”, afirmou a presidente, referindo o papel decisivo da Europa no apoio à Ucrânia.

A Ucrânia não está apenas a lutar contra o invasor, mas pela Europa. Juntar-se à nossa família será a sua vitoria última. E nisso temos um papel decisivo a desempenhar”, argumentou, recordando os passos e que estão a ser dados nesse sentido.

Ursula Von der Leyen referiu-se ainda à migração e o que foi feito para reforçar a ambição contra o tráfico e à competitividade, referindo o necessário ao apoio para alavancar as indústrias tecnológicas limpas.

Por último, referiu-se à necessidade de ajustes técnicos ao orçamento, num contexto de pressão da inflação e altas taxas de juro, consequências da guerra e da pandemia.

c/ agências
Tópicos
PUB