Sindicato moçambicano "profundamente preocupado" com a saída da Mozal
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e Energia (Sintime) de Moçambique manifestou hoje "profunda preocupação" com a saída da Mozal, maior indústria do país, alertando para graves consequências sociais e económicas.
"O Sintime entende que a Mozal é crucial para o desenvolvimento económico de Moçambique, como uma das maiores indústrias do país, sendo um pilar das exportações com cerca de 30% dos produtos exportados e uma grande empregadora, tanto estamos a falar de milhares de postos de trabalho diretos, com cerca de 1.100, e indiretamente cerca de 4.000 postos", disse hoje em conferência de imprensa o secretário-geral daquele sindicato, Américo Macamo, em Maputo.
Segundo o responsável do Sintime, que abrange cerca de 22.600 profissionais, a Mozal é uma "alavanca vital" para a economia e a indústria do país, numa altura em que um dos pilares centrais do programa quinquenal do Governo é a luta pela independência económica.
A Mozal compra quase metade da energia produzida em Moçambique e tem um peso estimado de pelo menos 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e, em 16 de dezembro, a administração da australiana South32, uma das empresas acionistas da fábrica, anunciou a suspensão das atividades a partir de 15 de março de 2026, face à falta de um novo acordo de fornecimento de eletricidade.
"O sindicato entende que a independência económica é uma meta transversal e contínua. Resulta da transformação da estrutura económica e social do país, através da produção interna, gerando emprego e redução da pobreza, daí que manifesta a sua profunda preocupação e consideração [pelo encerramento da Mozal]", avançou Macamo, reiterando ser "inadmissível" que, em sede das negociações, as partes não equacionem soluções conjuntas para mitigar o impacto da suspensão, prevista para março deste ano.
O órgão alertou ainda para "graves consequências" sociais e económicas provenientes do encerramento daquela indústria, incluindo a perda de mais de 5.000 empregos diretos e indiretos, e defendeu que "evitar a todo o custo" o encerramento da fábrica deve ser um objetivo comum, "tendo em conta que tal cenário acarretaria consequências económicas e sociais severas, incluindo a falência de várias empresas".
"O sindicato apela e propõe, assim, que as negociações de recursos sejam reforçadas através de inclusão, de todos os acionistas da Mozal, nomeadamente a South32, o Governo de Moçambique, a IDC da África do Sul e a Mitsubishi Corporation, além da inclusão da CTA [Confederação das Associações Económicas], como parte ativa e legítima destas discussões, incluindo o sindicato, com vista à promoção e defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos dos trabalhadores", disse.
Para Américo Macamo, a negociação de um novo acordo energético é também crucial para a continuidade das operações e para a diversificação da economia moçambicana.
Em 18 de dezembro, a CTA defendeu que se evite "a todo o custo" a suspensão da Mozal, alertando para o desemprego e falência de pequenas empresas.
"Evitar a todo o custo o encerramento da fábrica deve ser um objetivo comum, tendo em conta que tal cenário acarretaria consequências económicas e sociais severas, incluindo a falência de várias e pequenas empresas nacionais e o despedimento massivo de trabalhadores", disse na altura o Álvaro Massingue, presidente da CTA, maior organização empresarial do país.
O Governo moçambicano disse no dia 16 do mesmo mês que há uma equipa a trabalhar para garantir que o futuro da Mozal não prejudique nenhum dos envolvidos, após o anúncio de suspensão de atividades.
Segundo um comunicado da South32, divulgado em dezembro, a Mozal continua a dialogar com o Governo de Moçambique, a Hidroelétrica de Cahora Bassa e a sul-africana Eskom para garantir o fornecimento de "eletricidade suficiente e acessível" até à suspensão em março, altura em que o acordo em vigor expira.