Em direto
50 anos da Constituição da República. Parlamento assinala data com sessão solene

Síria: 270 mil pessoas fugiram desde o início da ofensiva do governo

Síria: 270 mil pessoas fugiram desde o início da ofensiva do governo

Mais de 270 mil pessoas abandonaram as suas casas no sul da Síria desde que as forças militares do país iniciaram, há cerca de duas semanas, uma ofensiva nas zonas de Deraa e Quneitra, controladas por rebeldes. De acordo com as Nações Unidas, os deslocados estão a dirigir-se às fronteiras com a Jordânia e com os Montes Golã.

RTP /
O número de refugiados aumentou de 50 mil para 270 mil em apenas seis dias Alaa Faqir - Reuters

O primeiro-ministro jordano, Omar al Razaz, afirmou que não irá abrir a fronteira com a Síria por "razões de segurança", acrescentando que recebeu informações sobre "homens armados entre os deslocados sírios".

Devido a esta medida, cerca de 70 mil pessoas estão a viver em abrigos improvisados ou ao ar livre perto da fronteira com a Jordânia, com acesso limitado a comida e água.

"Perdemos os nossos filhos, as nossas casas, os nossos locais de abrigo", disse à agência noticiosa francesa AFP uma mulher refugiada num dos acampamentos. "Estamos sentados no chão. Não temos água para lavar as mãos. Não temos nada para beber e comer".
O número de refugiados aumentou de 50 mil para 270 mil em apenas seis dias.
Ayman Safadi, ministro das Relações Exteriores da Jordânia, afirmou esta segunda-feira que o país tem tentado entregar tendas e equipamento médico aos deslocados, mas que tem sido difícil fazer os materiais atravessar a fronteira.

"Acreditamos que não é do interesse de ninguém que os sírios deixem o seu país", afirmou. "Não há escassez de mantimentos. A questão é apenas como fazê-los chegar."

Safadi declarou ainda que vai comunicar com o homólogo russo na terça-feira com o objetivo de terminar esta crise e “evitar mais destruição”. As forças militares sírias têm contado com o apoio da aviação russa nos ataques aéreos a sul do país.
“Proteger as fronteiras”
Também Israel declarou que não permitirá a entrada de sírios no seu território. O conflito já levou a que o exército israelita reforçasse a presença na fronteira com a Síria como medida de precaução, mantendo no local veículos blindados e artilharia pesada.

No entanto, o país já acolheu pelo menos seis sírios feridos, incluindo quatro crianças, facultando o tratamento médico necessário. Forneceu ainda tendas, comida, equipamento médico, roupa e calçado aos campos de refugiados na zona desmilitarizada dos Montes Golã.

“Vamos continuar a proteger as nossas fronteiras”, declarou o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu. “Vamos estender a assistência humanitária até ao limite das nossas capacidades. Mas não permitiremos a entrada no nosso território”.

Foto: Alaa Faqir - Reuters

O Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Raad Al Hussein, alertou para uma catástrofe humanitária em Deraa e pediu aos países vizinhos que facultem a passagem segura àqueles que pretendem fugir da violência.

"Esperávamos que o número de refugiados chegasse aos 200 mil, mas num tempo recorde já foram ultrapassados os 270 mil", declarou Mohammed Hawari, porta-voz do Alto-comissariado para os Refugiados (ACNUR).

Alegadamente, no domingo as forças rebeldes cederam perante o Presidente sírio, Bashar al-Assad, tendo concordado em entregar o controlo de oito regiões.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, pelo menos 132 civis, incluindo 25 menores, foram mortos desde o início das hostilidades, a 19 de junho.
Tópicos
PUB