Síria. Forças curdas acusam exército de crimes de guerra

Síria. Forças curdas acusam exército de crimes de guerra

As Forças Democráticas Sírias (FDS), a milícia curdo-árabe que atua como exército da região autónoma do nordeste da Síria, acusaram hoje o exército sírio de cometer crimes de guerra durante o recente conflito na zona.

Lusa /

"Apresentam-se aqui provas documentadas de crimes de guerra cometidos pelo exército sírio em menos de 17 dias da contínua campanha militar contra a população civil", afirmou o porta-voz das FDS, Farhad Shami, através das redes sociais.

A mensagem é acompanhada por um documento com alegados casos de execuções extrajudiciais, ataques contra hospitais, detenções arbitrárias, mutilações e abusos contra mulheres combatentes.

Foi também denunciada a participação de elementos do grupo extremista Estado Islâmico (EI, também conhecido pelo acrónimo árabe Daesh) nas operações militares como aliados do Exército sírio.

"Esta é apenas uma amostra limitada, uma vez que estão a ocorrer numerosas violações adicionais sem documentação nem supervisão internacional", disse o porta-voz, citado pela agência espanhola Europa Press (EP).

O conflito encontra-se sob um delicado cessar-fogo de quatro dias que deveria terminar hoje à noite, mas que fontes governamentais e curdas disseram à agência francesa AFP que será prorrogado.

No âmbito do acordo, as novas autoridades de Damasco assumem o controlo estratégico da região sob controlo das FDS, incluindo os recursos, mas reconhecem por decreto a identidade dos cursos como comunidade autónoma dentro da Síria.

O acordo prevê também que o exército sírio assuma o controlo dos centros de detenção de famílias de jihadistas do EI, até agora sob gestão curda.

As FDS acusam o exército sírio de ter prosseguido com os ataques depois da entrada em vigor do cessar-fogo.

O incidente mais recente terá ocorrido na quinta-feira, quando "fações afiliadas a Damasco continuaram os ataques contra a prisão de Al-Aqtan, em Raqa", onde se encontram detidos elementos do EI.

Os militares sírios também acusaram as FDS de continuar os ataques e de matar civis como tática de terror, disfarçando os atos sob supostas emboscadas ao exército, e denunciaram um incidente ocorrido na sexta-feira a leste da cidade de Alepo.

As FDS foram a ponta de lança na luta na Síria contra o EI, derrotado em 2019 com o apoio de uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, que apoiam agora as novas autoridades de Damasco.

O novo poder em Damasco é liderado pelo Presidente Ahmad al-Charaa, que comandou as forças rebeldes que derrubaram o regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024.

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