Última Hora
BCE sobe juros em 25 pontos base pela segunda vez este ano

Síria. Forças curdas acusam exército de crimes de guerra

Síria. Forças curdas acusam exército de crimes de guerra

As Forças Democráticas Sírias (FDS), a milícia curdo-árabe que atua como exército da região autónoma do nordeste da Síria, acusaram hoje o exército sírio de cometer crimes de guerra durante o recente conflito na zona.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Apresentam-se aqui provas documentadas de crimes de guerra cometidos pelo exército sírio em menos de 17 dias da contínua campanha militar contra a população civil", afirmou o porta-voz das FDS, Farhad Shami, através das redes sociais.

A mensagem é acompanhada por um documento com alegados casos de execuções extrajudiciais, ataques contra hospitais, detenções arbitrárias, mutilações e abusos contra mulheres combatentes.

Foi também denunciada a participação de elementos do grupo extremista Estado Islâmico (EI, também conhecido pelo acrónimo árabe Daesh) nas operações militares como aliados do Exército sírio.

"Esta é apenas uma amostra limitada, uma vez que estão a ocorrer numerosas violações adicionais sem documentação nem supervisão internacional", disse o porta-voz, citado pela agência espanhola Europa Press (EP).

O conflito encontra-se sob um delicado cessar-fogo de quatro dias que deveria terminar hoje à noite, mas que fontes governamentais e curdas disseram à agência francesa AFP que será prorrogado.

No âmbito do acordo, as novas autoridades de Damasco assumem o controlo estratégico da região sob controlo das FDS, incluindo os recursos, mas reconhecem por decreto a identidade dos cursos como comunidade autónoma dentro da Síria.

O acordo prevê também que o exército sírio assuma o controlo dos centros de detenção de famílias de jihadistas do EI, até agora sob gestão curda.

As FDS acusam o exército sírio de ter prosseguido com os ataques depois da entrada em vigor do cessar-fogo.

O incidente mais recente terá ocorrido na quinta-feira, quando "fações afiliadas a Damasco continuaram os ataques contra a prisão de Al-Aqtan, em Raqa", onde se encontram detidos elementos do EI.

Os militares sírios também acusaram as FDS de continuar os ataques e de matar civis como tática de terror, disfarçando os atos sob supostas emboscadas ao exército, e denunciaram um incidente ocorrido na sexta-feira a leste da cidade de Alepo.

As FDS foram a ponta de lança na luta na Síria contra o EI, derrotado em 2019 com o apoio de uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, que apoiam agora as novas autoridades de Damasco.

O novo poder em Damasco é liderado pelo Presidente Ahmad al-Charaa, que comandou as forças rebeldes que derrubaram o regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024.

Tópicos
PUB