Síria recebe ex-general de Bashar al-Assad extraditado do Líbano
O Ministério do Interior sírio anunciou que um antigo general do ex-Presidente, Bashar al-Assad, foi extraditado para o país pelo Líbano e acusado de "assassínios e crimes contra a humanidade".
A Síria tinha emitido um mandado de prisão contra Adel Issa, general à época do anterior governo sírio de Bashar al-Assad, deposto em dezembro de 2024 por uma coligação de rebeldes islamitas.
As autoridades sírias, afirmou o ministério num comunicado na quarta-feira, "receberam das autoridades libanesas" o general.
Adel Issa, de 67 anos, antigo oficial da 17.ª brigada do exército sírio e comandante das forças terrestres no leste de Deir Ezzor até 2016, é acusado de "torturas que causaram a morte e crimes de agressão visando incitar à guerra civil e aos combates confessionais", entre outros crimes, especificou o ministério.
Um responsável judicial libanês tinha indicado na terça-feira à agência de notícias francesa AFP que o Líbano tinha decidido extraditá-lo, após a sua detenção em Beirute no início de agosto.
A decisão de extradição, no âmbito de um acordo judicial de 1951 entre Beirute e Damasco, baseia-se nas "exigências legais, nos documentos e no processo enviados ao Líbano pelas autoridades sírias", acrescentou.
O antigo oficial dirigiu-se à embaixada da Síria em Beirute a 07 de agosto para tratar de assuntos administrativos, segundo outro responsável judicial.
Após tomar conhecimento do mandado de Damasco, o pessoal da embaixada pediu às autoridades libanesas para o deter.
Desde a queda de Bashar al-Assad, as autoridades sírias prenderam dezenas de pessoas acusadas de crimes durante os 13 anos de guerra civil no país, e os julgamentos começaram em abril.
Por ocasião das primeiras decisões, a 11 de agosto, a justiça condenou a pena capital, à revelia, Bashar al-Assad, por "crimes de guerra" e "crimes contra a humanidade".
O ex-Presidente encontra-se foragido na Rússia, sob proteção do Kremlin.
Sete antigos responsáveis militares e das forças de segurança, dos quais apenas um compareceu, foram condenados à mesma pena.
O Líbano e a Síria manifestaram determinação em abrir um novo capítulo nas suas relações desde a queda do clã Assad e o enfraquecimento do seu aliado, o Hezbollah.
Sob o domínio dos Assad, a Síria exerceu durante décadas tutela sobre o seu vizinho e foi acusada de aí ter cometido numerosos assassínios.