Sismo mais mortífero do século XX ainda tem desalojados
Mais de 85 mil desalojados permanecem no Haiti, cinco anos após o sismo mais mortífero do século XX, que causou a morte mais de 300 mil pessoas, segundo a Amnistia Internacional.
O terramoto de magnitude 7 atingiu há cinco anos a nação mais pobre do continente americano, afetada por conflitos civis e ocupada por tropas de missão de paz da ONU. A tragédia deixou 316 mil mortos, 300 mil feridos e 1,3 milhões de deslocados. Mais de 97 mil casas foram destruídas e outras 188 mil, afetadas parcialmente, principalmente na capital, Porto Príncipe.
O número de vítimas torna o sismo no mais mortífero do século XX e o segundo mais fatal registado em todos os tempos, apenas atrás do terramoto que matou mais de 830 mil pessoas na China em janeiro de 1556, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).
Entre os mortos estavam 61 trabalhadores da ONU que trabalhavam no país, entre 25 civis, 24 militares e 12 polícias. Um estudo posterior encomendado e divulgado pelo governo americano estimou que o número de vítimas fatais no sismo não passaria de 85 mil, mas o governo do Haiti manteve sua estimativa divulgada anteriormente.
O centro do terramoto ocorreu a 22 quilómetros de Porto Príncipe, a cerca de 10 quilómetros de profundidade, segundo o USGS, e foi sentido em Cuba e na República Dominicana.
Nas operações de busca, as autoridades conseguiram resgatar vítimas debaixo de escombros até quatro semanas após o sismo.
Após a tragédia, a imprensa internacional também noticiou histórias de pessoas desaparecidas e amputadas, tráfico de crianças, saques em casas destruídas e desvios em doações internacionais de recurso - que ultrapassaram os 5,3 mil milhões de dólares (4,5 mil milhões de euros) em dois anos.
A reconstrução do Haiti foi dificultada por uma epidemia de cólera que matou mais de 6.000 pessoas nos anos posteriores ao terramoto, e que terá sido levada ao país por tropas estrangeiras vinculadas à ONU, que auxiliavam tanto humanitariamente como no processo de paz.
Para algumas famílias haitianas, a tragédia ainda não teve fim. Mesmo após cinco anos do sismo e o aumento da imigração, inclusive para o Brasil, os 123 campos de abrigo para deslocados internos mantinham em setembro de 2014, em condições precárias de saneamento, 85.432 pessoas, segundo um levantamento da Amnistia Internacional.
Outras mais de 60.000 haviam sido forçadas a sair dos campos de abrigo desde 2010, ainda de acordo com a organização, que também criticou os programas de habitação feitos para os afetados, por proporcionarem apenas residências temporárias.
Algumas áreas receberam um grande contingente de desalojados, que construíram novas casas. Um exemplo apontado pela Amnistia Internacional é a região de Canaan, cuja população cresceu exponencialmente e chegou aos 200 mil habitantes depois de o terreno ter sido declarado de uso público, após o sismo.