Sismo Marrocos. Equipas internacionais de resgate ainda procuram sobreviventes

Na noite de domingo, Marrocos anunciou que tinha aceitado ajuda de Espanha, Reino Unido, Catar e Emirados Árabes Unidos. E durante a madrugada desta segunda-feira, foram muitas as equipas internacionais de resgate que, numa corrida contra o tempo, se deslocaram para o país atingido por um sismo, na tentativa de encontrar sobreviventes nos escombros após mais de 48 horas.

Inês Moreira Santos - RTP /
Yoan Valat - EPA

Espanha enviou 86 socorristas e oito cães pisteiros para Marrocos com vista a “ajudar na procura e resgate de sobreviventes do devastador terramoto sofrido no nosso país vizinho”, afirmou o Ministério da Defesa num comunicado.

“Enviaremos tudo o que for necessário porque todos sabem que estas primeiras horas são fundamentais, especialmente se houver pessoas soterradas sob os escombros”, disse a ministra espanhola da Defesa, Margarita Robles, à televisão pública.

Também saiu uma equipa de resgate do Catar durante a noite de domingo e do Reino Unido, segundo a imprensa internacional.

O Governo marroquino afirmou entretanto que as equipas estrangeiras estavam em contacto com as autoridades locais para coordenar esforços, frisando que, para já, apenas quatro ofertas foram aceites porque “a falta de coordenação pode ser contraproducente”. Há, contudo, mais países a afirmar estar disponíveis para enviar ajuda humanitária e equipas de resgate.

Acrescentou ainda que, na fase atual, as autoridades do país magrebino aceitaram a ajuda oferecida pela Espanha, Catar, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos, que "propuseram equipas de busca e salvamento", e salientou que estas equipas já chegaram ao país e contactaram os seus homólogos marroquinos.

"Com o progresso das operações de intervenção, à medida que a avaliação das eventuais necessidades evolui, isso levaria a recorrer a ofertas de apoio propostas por outros países amigos, de acordo com as necessidades de cada etapa", segundo o comunicado citado pela agência de notícias espanhola EFE.

O executivo acrescenta ainda que "aprecia todas as iniciativas de solidariedade provenientes de diferentes partes do mundo, e afirma que respeita esses países".

O país pode ainda vir a aceitar outras ofertas “se as necessidades evoluirem”, segundo o Governo. A França, por exemplo, estava disposta a fornecer ajuda “no segundo” que Marrocos a solicitasse, disse o presidente Emmanuel Macron.
De acordo com as informações a que a RTP teve acesso, no local, as populações tentam voltar à normalidade, não havendo no entanto condições para tal.

Há aldeias e várias regiões que ainda não têm acesso automóvel, o que está a dificultar o trabalho das autoridades no resgate de sobreviventes. A RTP confirmou que a ajuda humanitária estrangeira já foi enviada para Marrocos, mas ainda não foi vista no terreno.

Os sobreviventes têm passado os dias a procurar abrigo e mantimentos e consideram que a resposta governamental inicialmente foi lenta. Marrocos destacou o exército como parte da resposta ao desastre e admite estar a reforçar as equipas de resgate e salvamento, fornecendo água potável e distribuindo alimentos, tendas e cobertores à população.

O primeiro-ministro português, António Costa, salientou esta segunda-feira que o país tem equipas de proteção civil e medicina legal em estado de prontidão e que o Governo continua a acompanhar a situação dos portugueses que se encontram em Marrocos. No sábado, Portugal realizou uma operação que permitiu trazer cerca de 140 portugueses que queriam regressar.

Entretanto, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) anunciou que vai dar 1,05 milhões de euros (um milhão de francos suíços) para ajudar em missões de resposta ao terramoto em Marrocos.

Os últimos dados provisórios dão conta que o terramoto, que atingiu a região de Marraquexe na sexta-feira, fez pelo menos 2.122 mortos e 2.421 feridos.

O tremor de terra, cujo epicentro se registou na localidade de Ighil, 63 quilómetros a sudoeste da cidade de Marraquexe, foi sentido em Portugal e Espanha, tendo atingido uma magnitude de 7,0 na escala de Richter, segundo o Instituto Nacional de Geofísica de Marrocos.
França e China ajudam ONG's
A França anunciou, esta segunda-feira, que vai atribuir uma verba de cinco milhões de euros às organizações não-governamentais que estão em Marrocos a prestar auxílio na sequência do terramoto de sexta-feira.

A ajuda do Governo de Paris foi divulgada pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Catherine Colonna, frisando que não existem interferências francesas nos planos de socorro no terreno.

"Marrocos é um país soberano e cabe-lhe organizar a ação de socorro", afirmou Catherine Colonna no canal de notícias BFMTV, acrescentando que o país não "recusou qualquer ajuda", inclusive de França.

A chefe da diplomacia francesa apelou ainda para que não se gerem "falsas polémicas" numa altura em que "as pessoas precisam de ajuda", afastando diferendos diplomáticos com as autoridades marroquinas.

Também a Sociedade da Cruz Vermelha da China informou que vai doar ao Crescente Vermelho Marroquino 200 mil dólares para assistência humanitária de emergência, de acordo com os media estatais chineses.

A Cruz Vermelha Chinesa disse que a doação será usada para ajudar Marrocos a realizar operações de resgate e ajuda humanitária, de acordo com o China Daily.

O presidente chinês, Xi Jinping, apresentou condolências ao rei marroquino Mohammed VI, dizendo que ficou chocado ao saber do intenso terremoto que causou pesadas vítimas e perdas de propriedades. Os profissionais de saúde chineses em Marrocos têm ajudado ativamente as vítimas, inclusive durante os tremores secundários, informou ainda a emissora estatal CGTN.
PUB