Sismos Venezuela. ONU já prestou assistência alimentar a 286.000 pessoas afetadas
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas indicou ter prestado assistência alimentar a 286.000 pessoas afetadas pelo duplo sismo que em junho abalou a Venezuela.
"O Programa Alimentar Mundial (PAM) já prestou assistência alimentar a 286 mil pessoas e pretende apoiar até 500 mil pessoas durante os primeiros três meses da resposta", explicou a organização num comunicado.
Segundo o documento, dois fortes sismos abalaram sete regiões da Venezuela a 24 de junho de 2026 - com La Guaira e Caracas as mais afetadas -, causando múltiplas vítimas mortais, e danificando habitações, infraestruturas e meios de subsistência, deixando milhares de pessoas em abrigos temporários.
"A resposta humanitária centra-se em ajudar as famílias a satisfazer as suas necessidades alimentares imediatas e a começar a reconstruir as suas vidas (...) O PMA está a apelar urgentemente a um montante de 80 milhões de dólares [68,4 milhões de euros] para prestar esta ajuda alimentar que salva vidas", explica.
Segundo o PMA já antes do duplo sismo, "as necessidades de ajuda alimentar na Venezuela já eram significativas" uma vez que "muitas famílias não têm meios para comprar produtos alimentares básicos, apesar de estes estarem disponíveis nos mercados".
"O acesso económico a alimentos de boa qualidade e nutritivos constitui um desafio para muitas famílias, uma vez que os aumentos dos preços dos alimentos corroem o poder de compra", sublinha.
Ainda segundo o PAM "a frequência e a intensidade de outras catástrofes, tais como inundações, secas e deslizamentos de terra, representam ainda um grande desafio para a agricultura, a produção alimentar e os meios de subsistência".
"O PMA concentra-se na prestação de assistência alimentar vital às populações vulneráveis. Também ajudamos as famílias a desenvolver resiliência, a recuperar de crises e a reforçar os seus meios de subsistência, com vista a contribuir para a segurança alimentar a longo prazo", concluiu a organização.
O duplo sismo de 24 de agosto causou danos graves em infraestruturas, pessoas feridas e vítimas mortais em sete estados da Venezuela, Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o que registou maior afetação.
Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.438 pessoas faleceram e 86.358 pessoas foram assistidas nos hospitais depois dos sismos.
Entre os mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.
Foram inspecionadas 59.109 habitações, das quais 34.680 foram consideradas habitáveis, 13.733 com restrições e 10.696 de "alto risco", tendo já sido removidas 528.222 toneladas de escombros.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
O Banco Mundial estimou em 19,6 mil milhões de dólares (16,9 mil milhões de euros) a destruição material casada pelos terramotos.