Sismos violentos podem ser precedidos de sinais anunciadores

Os tremores de terra mais violentos podem ser precedidos de abalos lentos e muito pouco perceptíveis, que eventualmente se prolongam durante vários dias ou semanas, especulam cientistas, após terem estudado uma zona sísmica do Sul do Japão.

Agência LUSA /

Os sinais indicadores, provenientes de falhas muito profundas, são conhecidos por sismos de baixa frequência. Regra geral, estes não ultrapassam a magnitude de 1 ou 2 na Escala de Richter, afirma uma equipa Americana e japonesa conduzida por David Shelly (da Universidade de Stanford).

Estes abalos são frequentemente observados nas zonas de subducção, local onde uma placa tectónica se enterra sob uma outra.

Foi nestas regiões, como no célebre "Cinturão do Fogo" do Pacífico, que ocorreram os sismos mais devastadores da história humana. O sismo de magnitude 9.2, que destruiu Samatra a 26 de Dezembro de 2004 e que desencadeou um tsunami que provocou a morte de mais de duzentas mil pessoas, é um exemplo recente.

A equipa de Shelly, cujos trabalhos foram publicados na última edição da revista científica Nature, examinou centenas de gravações sismográficas efectuadas em Shikoku, uma ilha japonesa. Nesse local, a placa das Filipinas enterra-se em cerca de 35 quilómetros sob a superfície terrestre.

Imperceptíveis a partir da superfície, os abalos de baixa frequência são aí provocados "pelo mesmo mecanismo que produz os sismos habituais mas com uma pequena diferença. O deslizamento da falha profunda sobrevem mais lentamente do que quando ocorre um sismo comum", revela um outro autor do estudo, Gregory Beroza, professor de geofísica em Stanford.

Uma vez que o abalo pode durar semanas, a energia solta pode ser tão importante como a de um sismo maior, e pode vir fragilizar as secções da falha, já submetidas a tensões extremas.

A maior parte dos sismólogos estima que estes abalos são um barulho de fundo da actividade das placas tectónicas, não tendo utilidade como ferramenta de previsão.

No entanto, Beroza afirma que "cada vez que ocorre um sismo lento, este faz com que as tensões que pesam na parte da falha não deslizem. Saber que tal abalo ocorreu pode ser útil para avaliar os riscos sísmicos".

O último grande tremor de terra registado em Shikoku, a mais meridional das quatro ilhas nipónicas, ocorreu em 1946. O sismo, de magnitude 8.1, matou cerca de 1.330 pessoas.
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