País sob alerta. Cheias em Moçambique já causaram mais de 100 mortes

Pelo menos 103 pessoas morreram e outras 173 mil foram afetadas desde o início da época de chuvas em Moçambique. O país está em alerta vermelho para chuvas fortes a muito fortes nas próximas horas, com risco elevado de cheias.

RTP /
Foto: Amilton Neves - AFP

As inundações que assolam Moçambique destruíram 1.160 casas, após a vaga de chuvas intensas que teve início a 22 de dezembro, de acordo com o último balanço do governo moçambicano.

Perante uma situação que se tem agravado nos últimos dias, o executivo ativou o alerta vermelho em todo o território, como forma de “assegurar a coordenação centralizada de resposta imediata” e “reforçar a mobilização de meios” para assistência humanitária às vítimas e populações isoladas.

O governo moçambicano procura nesta fase flexibilizar os mecanismos formais de gestão, implementar medidas imediatas e agilizar a retirada de pessoas nas áreas de alto risco, garantiu o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa.

“O esforço que o governo está a fazer é para assegurar que não haja mortes e esse é o grande objetivo, que todas as pessoas sejam poupadas”, reforçou.
Pressão nas zonas mais afetadas
As operações de resgate também têm sido dificultadas. A administradora do distrito de Mapai, Maria Langa, anunciou esta sexta-feira que “foram resgatadas todas as pessoas” que estavam cercadas, tendo sido “encaminhadas para o centro de acomodação de Mafassitela”, onde vão receber assistência.

Na última quinta-feira, a chuva torrencial na província de Gaza, sul de Moçambique, impediu o resgate das 68 pessoas cercadas pelas cheias, incluindo 23 crianças.

Na região sul do país, as bacias hidrográficas dos rios de Limpopo, Umbeluzi, Incomáti e Inhanombe continuam a registar um “aumento significativo” do volume de escoamento das águas, aumentando os níveis de alerta.

Na bacia de Búzi, no centro do país, o cenário é idêntico, alertou o governo. As inundações têm afetado a “transitabilidade” e os campos agrícolas. Os meios nacionais não são, no entanto, suficientes para dar resposta a todo o território afetado, admitiu o executivo esta sexta-feira.

A Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos de Moçambique já avançou com números provisórios e estima que pelo menos 400 mil pessoas estão em risco de serem retiradas das suas zonas de residência só na província de Gaza.

Em Maputo, outra das áreas severamente afetadas, o Parque Nacional da capital moçambicana comunicou a suspensão de todas as atividades de safari a partir desta sexta-feira e por tempo indeterminado devido à intransitabilidade das vias internas do local e à subida do nível da Lagoa de Xinguti.
Resposta política e medidas de apoio
Enquanto o centro de Maputo resiste aos dias de chuva, nos bairros periféricos de Moçambique multiplicam-se os pedidos de ajuda junto às casas e ruas inundadas.

Em resposta aos apelos, o parlamento moçambicano anunciou esta sexta-feira que vai disponibilizar cerca de 2,7 milhões de meticais (36.400 euros) para apoiar as vítimas das cheias.

“A comissão permanente da Assembleia da República deliberou que os deputados da Assembleia da República irão contribuir com dois dias de salários, no valor total de 2.709.120 meticais a serem entregues ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres”, confirmou Sérgio Pantie, porta-voz da comissão permanente do parlamento.

A atual época de chuvas começou em outubro e pode estender-se até abril. O período tem sido marcado por alertas no centro e sul do país, com as autoridades a ativarem ações de antecipação e prevenção das inundações.
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