Entre as contas removidas do Twitter estão utilizadores como político canadiano Jagmeet Singh, a poeta canadiana Rupi Kaur, vários jornalistas e um parlamentar indiano.
Desde meados de março, o Governo indiano acelerou o processos de alegada pressão sobre a comunidade crítica de Modi na plataforma. Emitiu avisos ao Twitter para remover pessoas, após um apagão da internet no Punjab, durante a busca por um líder separatista sikh em fuga.O Twitter bloqueou também o controlo do escritório local da BBC e a Baaz News, uma agência focada na diáspora sikh, com sede em Toronto.
“O Governo indiano tornou regra tomar medidas draconianas e reprimir a dissidência vinda de sikhs ou de outras comunidades minoritárias”, declarou Jaskaran Sandhu, co-fundador da Baaz News.
“As ações do Twitter são apenas outro exemplo [que implica] que as liberdades civis e os direitos democráticos estão sob ataque”, alertou.
Sandhu recebeu um e-mail do Twitter a 21 de março, informando-o de que a conta havia sido retida na Índia. “A minha conta inteira, não qualquer tweet, foi banida na Índia. É uma censura geral. E há silêncio absoluto do Twitter sobre isso”, observou Sandhu.
Falha a “disposição de uma resistência”
A Índia é o terceiro maior mercado para o Twitter, depois dos Estados Unidos e do Japão.
As plataformas redes social, como o Twitter, passaram a representar um dos caminhos que sobravam para o povo indiano expressar dissidência, dado o crescente alinhamento dos meios de comunicação tradicionais com o Governo.
Entretanto, o Executivo indiano introduziu legislação, em 2021, com o objetivo de regular todas as formas de conteúdo digital, incluindo notícias online, redes sociais e plataformas de streaming, e habilitar-se a remover conteúdo que considerasse “censurável”.
Prateek Waghre, diretor de políticas da Internet Freedom Foundation, clarificou que “
grande parte do conteúdo retido era reportagem que não retratava o governo de maneira positiva”. “Não há contestação. É um absurdo”, acrescentou.
O Twitter ainda processou o Governo indiano, em julho, devido ao estrangulamento, mas com a aquisição da plataforma por Elon Musk
a força de trabalho da rede na Índia foi reduzida em 90 por cento.
“Há a dúvida se o Twitter ainda tem pessoas para examinar esses pedidos”, sublinhou Waghre.
“A questão também está na disposição para uma resistência, que certamente se reduziu desde a aquisição de Musk”, rematou.
Contas bloqueadas
No final de março, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, fez um discurso virtual na segunda Cúpula para a Democracia, saudando o seu país como o “melhor exemplo de democracia no mundo”. No mesmo dia, de acordo com a Reuters, o Twitter “reteve” o acesso da conta oficial do Paquistão a utilizadores da Índia.
Duas semanas antes, as forças policiais do Estado do Punjab iniciaram uma perseguição a Amritpal Singh Sandhu, líder militante de um movimento que visa conceder aos sikhs da Índia a sua própria nação soberana.Os sikhs por toda a região do Punjab uniram-se para apoiar Singh.
As autoridades prenderam centenas de cidadãos e desligaram as redes de internet e SMS em todo o Estado, atingindo 30 milhões de punjabis.
Singh ainda não foi preso e as autoridades mantêm a estratégia de controlo de informações: na semana passada, conforme relatado pelo Rest of World, o Twitter bloqueou mais de 120 contas por solicitação do Governo, incluindo as de sikhs proeminentes como a poeta Rupi Kaur, que expressou publicamente preocupação com a repressão no Punjab.
BBC
A conta do Twitter da emissora britânica BBC News em punjabi foi também bloqueada há uma semana, quando as forças de segurança do Estado entraram no décimo dia de caça ao separatista Khalistani e ao chefe do Punjab Waris De, Amritpal Singh.
Os utilizadores do @bbcnewspunjabi foram recebidos com um grafismo cinza que reproduzia a mensagem: "A conta foi retida na Índia em resposta a uma necessidade legal".
A BBC ainda não se pronunciou sobre o bloqueio e o Twitter ainda não publicou detalhes do pedido que levou à sua ação.